quinta-feira, 5 de março de 2009

O sofrimento é necessario?

Jesus na cruz
Jesus Cristo: ele viveu para ensinar o amor, mas só se lembram de sua morte sofrida

Em muitas religiões, o sofrimento é elevado a um status de "caminho da redenção". A Igreja Católica Apostólica Romana é um exemplo de instituição religiosa que dá muita ênfase ao sofrimento. Em alguns casos, essa ênfase é tão exagerada que os fiéis acabam por sacrificar-se durante suas vidas, em busca do Reino Celestial após a morte. As experiências espirituais só teriam valor quando há sofrimento, e os templos religiosos estão repletos de imagens que retratam o sofrimento dos mártires.

Qual a sua opinião a respeito do sofrimento?


Da minha parte, acredito que o sofrimento não é necessário nem desnecessário. Ele é inerente à existência. O estado Crístico ou Búdico ocorre quando se "aceita os desígnios do Pai" ou quando se "atinge o Nirvana". O que isso significa? Aceitar que o sofrimento existe, da mesma maneira que o prazer. Ambos são transitórios. Um não existe sem o outro.

O caminho de cada ser humano é viver da maneira mais fluida possível. Isso significa, por um lado, sofrer menos, por saber que o sofrimento é passageiro. Mas também significa se apegar menos ao prazer, pois este também passará.

Isso não significa se resignar ao seu destino e não fazer nada para mudar sua vida sofrida. Tampouco significa glorificar o sofrimento como meio de alcançar o "Reino do Pai". Infelizmente, ao meu ver, tanto alguns Cristãos quanto alguns Budistas deixaram de seguir seus próprios caminhos para viver a "imitação de Cristo" ou a imitação de Buda. Seja martirizando-se, seja tornando-se um asceta, seja como for, estes seguidores acabam por apegar-se à história de vida de seus Avatares, ao invés de encararem o ensinamento central de ambos: Siga o Seu próprio caminho! (Não o MEU!)

Dizem os Budistas que do momento em Sidarta Gautama atingiu a Iluminação em diante, ele não se moveu. Foi o mundo que se moveu à sua volta. Os sofrimentos e prazeres deste mundo iam e vinham pelo ser em estado Búdico, mas ele permanecia centrado em seu Eu mais elevado.

Na Bíblia, em uma passagem do evangelho de São João, os Fariseus acusam Jesus de estar pecando ao realizar milagres no Sábado, o dia reservado ao Senhor [não é permitido realizar qualquer trabalho neste dia da semana, em respeito ao Mais Altíssimo, segundo a Lei Judáica]. Jesus afirma categoriamente: "Vós sois Deuses".

Este é o meu entendimento. Somos Todos Divindades a se manifestarem. Cada um no seu próprio caminho, sem imitações nem martírio.

Um abração e Vibrações Positivas!

Foto: Great Suffering Jesus, por quinet

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3 comentários

Astrid Annabelle disse...

Gabriel,olá!
Nesse instante mágico minha vida é sustentada pela alegria. Não costumo olhar para o lado esquerdo da vida.
"Se você compreender que é o CRIADOR e a CRIATURA, um ser divino que está passando por uma experiência humana, que precisa aprender a TRANSMUTAR, TRANSFORMAR as situações que a vida lhe apresenta como um desafio a ser superado, vai conseguir de imediato, uma qualidade de vida muito melhor." *(trecho de um post de minha autoria em A DINAMICA DO INVISIVEL,"http://adinamicadoinvisivel.blogspot.com")*
Não concordo com a senda do sofrimento portanto.
Um beijo agradecido por estar na lista dos meus seguidores!
Astrid / Ma Jivan Prabhuta

*P.S.o link é para sua referência, já que o comentário é moderado...pode apagar se quiser.*

Pedro F. disse...

Se sofrer não é um problema, saber porque sofremos é fundamental. Se vivemos em um sistema de acumulação como fim em si mesmo, como podemos chegar a esse porque?

Gabriel Dread disse...

@Astrid: Muito legal seu novo blogue. Já estou acompanhando. Mas acredito que é importante olharmos para o "outro" lado da vida, ou a sombra, como Jung constuma dizer. Para nos integrarmos com um SER completo, é preciso explorar o lado "esquerdo" e trazê-lo à luz, na medida do possível.

@Pedro F.: Realmente, essa questão do "porque" é muito importante, especialmente num nível macro-social. Leia minha postagem "A Grande Transformação", sobre a obra de Karl Polanyi, em que o autor investiga alguns destes porquês...

Abração
Gabriel

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