quinta-feira, 29 de janeiro de 2009

Quem somos nós?

"O homem se torna muitas vezes o que ele próprio acredita que é. Se insisto em repetir para mim mesmo que não posso fazer uma determinada coisa, é possível que acabe me tornando realmente incapaz de fazê-la. Ao contrário,se tenho a convicção de que posso fazê-la, certamente adquirirei a capacidade de realizá-la, mesmo que não a tenha no começo".
(Gandhi)

Em outras palavras:
If it can be concieved
and believed...

Only then it can be achieved...

[Se pode ser concebido e acreditado... Só então pode ser alcançado.]
(Autor desconhecido)
Foto: Pedro F. no topo do Bico do Papagaio, Vale do Matutu, Aiuruoca, Minas Gerais, por Leonel Sampaio

domingo, 25 de janeiro de 2009

São Paulo

Sol Poente em Sampa
Nasci em Sampa (mais precisamente na maternidade Santa Catarina, em plena avenida Paulista) e morei lá por 24 anos da minha vida. Sinto um ambígüo amor/ódio pela minha terra natal. Mas sou imensamente grato pelas lições que aprendi vivendo na capital da Babilônia brasileira.

Eu me perdi na Selva de Pedra. Aprendi a sobreviver no ambiente mais hostil do planeta Terra para qualquer especie de ser vivo, sem excluir os seres humanos. (Tá, talvez eu possa excluir alguns paulistanos da categoria "ser vivo").

São Paulo: vista da janela de um aviãoMas também me encontrei lá. Pela negação de tudo que eu acredito, de tudo que eu sinto que é mais sagrado para mim, São Paulo me ajudou a mostrar meu caminho neste mundo.

Me lembro, quando voltei da Chapada dos Veadeiros pela primeira vez, em 2002, que uma revelação surgiu para mim ao chegar em Sampa... um momento de epifania: "eu não posso viver com saúde nesta cidade". Acho até que ninguém em sã consciência pode, mas afinal, somos todos loucos...

Meu ser ficou adormecido e entorpecido pelo caos paulistano por tanto tempo que eu me desconectei do meu verdadeiro ser, da minha natureza. Mas bastou eu sair daquela cidade para perceber isso, para despertar.

Eu ainda tentei ficar por lá mais alguns anos, na esperança de mostrar para meus amigos e para a minha família, para meus I-rmãos, que está tudo errado nesta cidade. Mas depois de alguns anos falando com as paredes, fui embora e resolvi demonstrar o que queria dizer através do meu exemplo, da minha vida.
Faz 3 anos que eu mudei de São Paulo para Floripa. Não me arrependo nem um pouco. Só me preocupo com o rumo que minha atual morada está tomando, seguindo afoita e avidamente os passos da metrópole de onde fugi para me encontrar.

São Paulo: noite na Babilônia
Mas agora, com a distância, minha relação com Sampa-city mudou bastante. As minhas visitas são muito boas, e consigo até manter minha luz brilhando durante toda a minha estadia. E compartilhar esta luz com os seres que eu amo e que por opção (ou por falta dela) ainda moram lá.

Duas músicas feitas em homenagem a São Paulo me emocionam profundamente. Resumem boa parte dos meus sentimentos em relação à megalópole mais amadadoentiafelizloucainfelizintensa deste planeta...
Segue então, São São Paulo, do primeiro album de Tom Zé, e Sampa, de Caetano Veloso [musicada por "Gilberto Gil e eu"]. Ironicamente, estes dois baianos [Tom Zé e Caetano] andaram brigando em público. Mas no fundo, sabemos que eles se amam.

São São Paulo - Tom Zé - 1968   



São São Paulo quanta dor
São São Paulo meu amor

São oito doze vinte e dois milhões de habitantes
De todo canto e nação
Que se agridem cortesmente
Correndo a todo vapor
E amando com todo ódio
Se odeiam com todo amor
São oito milhões de habitantes
Aglomerada solidão
Por mil chaminés e carros
Gaseados a prestação
Porém com todo defeito
Te carrego no meu peito

São São Paulo quanta dor
São São Paulo meu amor

Salvai-nos por caridade
Pecadoras invadiram
Todo o centro da cidade
Armadas de ruge e batom
Dando vivas ao bom humor
Num atentado contra o pudor
A família protegida
O palavrão reprimido
Um pregador que condena
Um festival por quinzena
porém com todo defeito
Te carrego no meu peito


São São Paulo quanta dor
São São Paulo meu amor

Santo Antonio foi demitido
E os ministros de Cupido
Armados da eletrônica
Casam pela tevê
Crescem flores de concreto
Céu aberto ninguém vê
Em Brasília é veraneio
No Rio é banho de mar
O país todo de férias
E aqui é só trabalhar
Porém com todo defeito
Te carrego no meu peito

São São Paulo quanta dor
São São Paulo meu amor

Sampa - Caetano Veloso - 1978



Alguma coisa acontece no meu coração
Que só quando cruza a Ipiranga e a avenida São João
É que quando eu cheguei por aqui eu nada entendi
Da dura poesia concreta de tuas esquinas
Da deselegância discreta de tuas meninas

Ainda não havia para mim Rita Lee
A tua mais completa tradução
Alguma coisa acontece no meu coração
Que só quando cruza a Ipiranga e a avenida São João

Quando eu te encarei frente a frente não vi o meu rosto
Chamei de mau gosto o que vi, de mau gosto, mau gosto
É que Narciso acha feio o que não é espelho
E à mente apavora o que ainda não é mesmo velho
Nada do que não era antes quando não somos mutantes

E foste um difícil começo
Afasto o que não conheço
E quem vende outro sonho feliz de cidade
Aprende depressa a chamar-te de realidade
Porque és o avesso do avesso do avesso do avesso

Do povo oprimido nas filas, nas vilas, favelas
Da força da grana que ergue e destrói coisas belas
Da feia fumaça que sobe, apagando as estrelas
Eu vejo surgir teus poetas de campos, espaços
Tuas oficinas de florestas, teus deuses da chuva

Pan-Américas de Áfricas utópicas, túmulo do samba
Mais possível novo quilombo de Zumbi
E os novos baianos passeiam na tua garoa
E novos baianos te podem curtir numa boa

Anexo: Contracapa do album Tom Zé (1968)
Somos um povo infeliz, bombardeado pela felicidade.
O sorriso deve ser muito velho, apenas ganhou novas atribuições.
Hoje, industrializado, procurado, fotografado, caro (às vezes), o sorriso vende. Vende creme dental, passagens, analgésicos, fraldas, etc. E como a realidade sempre se confundiu com os gestos, a televisão prova diariamente, que ninguém mais pode ser infeliz.
Entretanto, quando os sorrisos descuidam, os noticiários mostram muita miséria.
Enfim, somos um povo infeliz, bombardeado pela felicidade.(As vezes por outras coisas também).
É que o cordeiro, de Deus convive com os pecados do mundo. E até já ganhou uma condecoração.
Resta o catecismo, e nós todos perdidos.
Os inocentes ainda não descobriram que se conseguiu apaziguar Cristo com os previlégios.  (Naturalmente Cristo não foi consultado).
Adormecemos em berço esplêndido e acordamos cremedentalizados, tergalizados, yêyêlizados, sambatizados e miss-ificados pela nossa própria máquina deteriorada de pensar.
"-Você é compositor de música "jovem" ou de música "Brasileira"?"
A alternativa é falsa para quem não aceita a juventude contraposta à brasilidade.. (Não interessa a conotação que emprestam à primeira palavra).
Eu sou a fúria quatrocentona de uma decadência perfumada com boas maneiras e não quero amarrar minha obra num passado de laço de fita com boemias seresteiras.
Pois é que quando eu abri os olhos e vi, tive muito medo: pensei que todos iriam corar de vergonha, numa danação dilacerante.
Qual nada. A hipocrisia (é com z?) já havia atingido a indiferença divina da anestesia...
E assistindo a tudo da sacada dos palacetes, o espelho mentiroso de mil olhos de múmias embalsamadas, que procurava retratar-me como um delinqüente.
Aqui, nesta sobremesa de preto pastel recheado com versos musicados e venenosos, eu lhes devolvo a imagem.
Providenciem escudos, bandeiras, tranqüilizantes, anti-ácidos, antifiséticos e reguladores intestinais. Amem.

TOM ZÉ .

P.S.
Nobili, Bernardo, Corisco, João Araújo, Shapiro, Satoru, Gauss, Os Versáteis, Os Brazões, Guilherme Araújo, O Quartetão, Sandino e Cozzela, (todos de avental) fizeram este pastel comigo.
A sociedade vai ter uma dor de barriga moral
O mesmo
Fonte: Blog do Tom Zé, Site do Tom Zé, Blog do Caetano Veloso
Fotos: Série São Paulo, por Gabriel Dread, Irradiando Luz

quinta-feira, 22 de janeiro de 2009

Para o Mano Lobão

No dia 12 de Janeiro, ocorreu o lançamento da sessão "Música" no Irradiando Luz, em que publiquei a postagem "Mano Caetano X Mano Lobão", abordando a polêmica gerada em torno das música Para o Mano Caetano, de Lobão, e suas desavenças e afinidades com Caetano Veloso.
Exatamente uma semana depois, nosso querido João Luíz Woerdenbag Filho, a.k.a. Lobão, publicou em seu blogue/site oficial uma versão inédita desta canção. Co-incidência ou sincronicidade?
A postagem dizia assim:
Para o mano Caetano na área!
Bem, gente, eu coloquei como segunda música nesse blog "Para o Mano Caetano"que já está pronta, mas nunca saiu nesse formato e é por isso que está ai!
Apesar de ter sido feita em 2000/2001 ela é inédita.
Ah, tb tem o seguinte, vcs podem brincar de entender alguma coisa comparando o "Para o Mano"com o "Lobão tem Razão".
Eu tenho feito isso e a cada vez que eu termino tenho uma nova interpretação!
Ouça no Player aqui do lado [eu não consegui ouvir no blogue dele, só no MySpace.]
Vejo que estou em sintonia com este artista que tanto admiro. Essa música Para o Mano Caetano me intrigou tanto, que eu continuei a pesquisar e descobri uma reportagem muito antiga a respeito, que explica um pouco mais as motivações do "Lobo bolo" em fazer uma homenagem/tijolada:

Lobão leva à Europa música em que critica Caetano Veloso

MARCELO BARTOLOMEI
Editor de Entretenimento da Folha Online*

O cantor Lobão, conhecido por enfrentar o mercado fonográfico ao lançar, em 99, um CD independente que vendeu 100 mil cópias em bancas de jornais, abre agora um novo round de sua atribulada carreira, não contra empresários do setor, mas com Caetano Veloso, ícone da música brasileira.

Em seu novo show, que ele apresentará na Europa a partir de agosto, Lobão canta uma "homenagem" a Caetano, uma réplica, segundo o que ele próprio diz, a 20 anos de indignação com o pensamento do músico baiano e, principalmente, a uma das faixas do disco "Noites do Norte", chamada "Rock'n'Raul".
Lobão, que dá continuidade ao trabalho que fez em "A Vida é Doce", lançou a canção "Para o Mano Caetano" no Fest Rock Brasília, num show que fechou a madrugada de domingo entre outras atrações locais, nacionais e internacionais.
"Caetano é uma pessoa que eu adoro, que eu amo, mas com quem eu tenho profundas divergências estéticas, filosóficas, existenciais e de pensamento. É uma pessoa que me sensibiliza muito tanto para o bem quanto para o mal", disse Lobão, horas antes de fazer o show de estréia de "Para o Mano Caetano".

DVD
Lobão ainda não apresentou "Para o Mano Caetano" comercialmente justamente porque lançará a música junto de "Lullaby", outra composição inédita, em Portugal, num DVD produzido em parceria com o canal pago Multishow, que gravou um show do cantor no Rio de Janeiro no último dia 6 e vai exibi-lo na TV a partir de setembro.
No Brasil, será lançado somente o DVD "Lobão 2001 - Uma Odisséia no Universo Paralelo". O CD, que é resultado do show, não. Será vendido somente na Europa e chega a Portugal com 20 mil cópias já vendidas. A diferença dele para o que pode ser comprado nas bancas de jornais do Brasil são exatamente as duas músicas inéditas.

"Para o Mano Caetano" surgiu depois de uma gravação para o "Programa do Jô", na Globo, onde Lobão diz ter se sentido boicotado porque, no mesmo dia, disputava as atenções com Caetano. "Daí ele começou a dizer um monte de coisa que eu não concordo. E o Jô mostrou o CD novo dele e o meu não, eu tive de tirar ele da manga e mostrar", disse o músico.
No dia, Caetano apresentava a música "Rock'n'Raul". "Eu nunca mais ouvi aquela música, foi só naquele momento. Várias coisas pegaram na letra: é uma homenagem escorregadia, ambígua, ele não pode fazer uma homenagem a um grande inimigo dele, que está enterrado e não pode falar nada."

Lobão disse não ter concordado também com a fala que "todo brasileiro gostaria de, um dia, ser americano". "Isso não é verdade, ele estava me incluindo. Eu levantei e falei que algo estava errado. Rapidamente, ele falou sobre detalhes delicados da minha vida, com quem eu estudei e como foi minha formação. Ele disse até que tinha comprado meu CD na banca, que recomendava, foi um garoto-propaganda", afirmou. "Eu fiquei quase implodindo. Eu venho retrucando Caetano sistematicamente muitas e muitas vezes e tenho obtido o silêncio."

A letra

Depois do episódio, que, segundo Lobão, foi melhor "deixar quieto", ele resolveu escrever uma crônica para o site "El Foco" lembrando o que havia acontecido, e dali surgiria a canção, de palavras contundentes e um ritmo heavy-metal pesadíssimo.

"A letra conta a história de 20 anos de indignações e paixões em relação ao Caetano. A letra ficou muito caetânica porque ela ficou muito ambígua. Até na primeira pessoa do singular eu não sei se sou eu ou ele, se estou declarando meu amor a eu (sic) ou a ele. Citações e caricaturas que eu faço são de um conhecimento prévio que eu tenho sobre ele."
A crítica mais explícita, já que, segundo Lobão, a música é totalmente subjetiva, está nos versos "Amado Caetano: Chega de verdade/Viva alguns enganos/Viva o samba, meio troncho,/Meio já cambaleando/A bossa já não é tão nova/Como pensam os americanos". Não faltam citações à carreira de Caetano como quando ficou no exílio: "Meu amado Caetano/Me ensinando a falar inglês/London, London...".

Na letra, Lobão cita Santo Amaro da Purificação, onde Caetano nasceu, fala de suas músicas e de sua maneira de aparecer na mídia, criticando os atos do músico baiano. "Não é uma homenagem, é uma declaração de amor. Eu chego até a chorar no final da música... o tom da minha voz é explícito. Não quero que seja um deboche, é muito emotivo."
"Para o Mano Caetano" já tem um videoclipe pronto e sua letra pode ser encontrada na internet, no site de Lobão (www.lobao.com.br).[hoje não mais, infelizmente]

Segundo ele, que apresentou a canção no show como "uma canção de amor", a principal crítica é ao cinismo da tropicália. "É conseguir se contradizer sem culpa."

Lobão garante: "Para o Mano Caetano" não é uma música de protesto. "Eu decretei a falência da música de protesto, pois a revanche é uma música de protesto, é sui generis. Ela só surgiu quando ela cabia. O protesto pressupõe uma ingenuidade, um ressentimento, um ódio... eu tenho uma relação com o ódio muito tranquila. Eu sou baterista e aprendi que porrada sublima o ódio, que é uma coisa bacana. O ressentimento é horrível. O amor e o ódio andam juntos."

"A Vida é Doce" é uma metalinguagem de tudo o que acontece hoje, diz o cantor.

Outro lado

Procurada, a assessoria de imprensa de Caetano Veloso no Rio de Janeiro não quis se pronunciar sobre as opiniões de Lobão.
A Folha Online tentou falar com a assessora de Caetano, Gilda Matoso, ontem, durante todo o dia, mas ela nem sequer atendeu a reportagem, se limitando a enviar recados por meio de outros profissionais que trabalham em seu escritório.


*Fonte: http://www1.folha.uol.com.br/folha/ilustrada/ult90u14396.shtml
Fotos: MySpace de Lobão

terça-feira, 20 de janeiro de 2009

Caetano Veloso na vanguarda da música

Conforme consta na Wikipedia, no ano de 1740 foi construída a fazenda Portobello, ao leste de Londres. Seu nome foi uma homenagem à cidade de mesmo nome, situada hoje no Panamá. Na era vitoriana, mais ou menos em 1850, foi contruída e pavimentada uma rua que ia até a fazenda, e foi chamada Portobello Road. Antes disso, por volta de 1841, já aparecia em mapas da área com o nome de Portobello Lane.
Por volta de 1950, a Grã-Bretanha recebe as primeiras levas de imigrantes da Commonwealth, incluíndo, claro, os jamaicanos, que foram se estabelecer em Brixton, mais especificamente nos arredores da Portobello Road e Notting Hill. Com eles, veio sua música... o ska, o rocksteady e finalmente... o reggae, a música de Jah!
O bairro ficou famoso por ter abrigado apresentações dos "estreantes" Pink Floyd e Jimi Hendrix. Mas foi na voz de Caetano Veloso que os brasileiros ouviram falar de Portobello Road.
Caretano Velhoso
Segundo a cidadíssima Wikipedia, Caetano Veloso foi ganhando a "simpatia" da Ditadura Militar por ter uma posição política ativa e esquerdista. Por esse motivo, as canções foram freqüentemente censuradas neste período, e algumas até banidas. Em 27 de dezembro de 1968, Caetano Veloso e o parceiro Gilberto Gil ("Gilberto Gil e eu") foram presos, acusados de terem desrespeitado o hino nacional e a bandeira brasileira. Foram levados para o quartel do Exército de Marechal Deodoro, no Rio, e tiveram suas cabeças raspadas.
Ambos foram soltos em 19 de fevereiro de 1969, quarta-feira de cinzas. Em julho de 1969 Caetano e Gil partiram para o exílio na Inglaterra.

Transa - 1972
Caetano Veloso obteve permissão para ficar um mês no Brasil em janeiro de 1971, quando foi interrogado por militares que pediram para que fizesse uma canção elogiando a rodovia Transamazônica - na época em construção. Caetano não aceitou a "proposta", mas de volta a Londres, gravou no final do ano o LP com o nome de "Transa". Segundo o blogue Cera de Ouvido, o disco é "uma mistura genial de línguas, ritmos e sonoridades capaz de entrar no leque de grandes gemas da MPB. E o melhor: sem qualquer relação com a tal da rodovia."
Transa foi gravado e lançado em Londres em 1971, mas foi lançado no Brasil apenas no ano seguinte. A edição original de Transa chamava atenção, devido à extravagância de a sua capa ser um objeto tridimensional, desdobrável, feliz alusão editorial ao experimentalismo que a música de Caetano então começava a assumir. Esse álbum foi eleito em uma lista da versão brasileira da revista Rolling Stone como o oitavo melhor disco brasileiro de todos os tempos.

A segunda faixa do primeiro lado de Transa é o fascinante Nine Out of Ten, que o próprio Caetano sempre considerou a sua melhor música cantada em inglês. E com muita razão! Esta foi a primeira composição brasileira que mencionou a palavra REGGAE.
Sobre o álbum, Caetano declarou em uma entrevista ao Jornal do Brasil:
"Chamei os amigos para gravar em Londres. Os arranjos são de Jards Macalé, Tutti Moreno, Moacyr Albuquerque e Áureo de Sousa. Não saíram na ficha técnica e eu tive a maior briga com meu amigo que fez a capa. Como é que bota essa bobagem de dobra e desdobra, parece que vai fazer um abajur com a capa, e não bota a ficha técnica? Era importantíssimo. Era um trabalho orgânico, espontâneo, e meu primeiro disco de grupo, gravado quase como um show ao vivo. Foi Transa que que me deu coragem de fazer os trabalhos com A Outra Banda da Terra. Tem a Nine out of Ten, a minha melhor música em inglês. É histórica. É a primeira vez que uma música brasileira toca alguns compassos de reggae, uma vinheta no começo e no fim. Muito antes de John Lennon, de Mick Jagger e até de Paul McCartney. Eu e o Péricles Cavalcanti descobrimos o reggae em Portobelo Road e me encantou logo. Bob Markey e The Wailers foram a melhor coisa dos anos 70. Gosto do disco todo. Me orgulho imensamente deste som que a gente tirou em grupo".
Fonte: Site Oficial do Caetano Veloso
Detalhe: Caetano só menciona os britânicos que gravaram Reggae... esqueceu-se de Eric Clapton, que ao gravar "I Shot the Sheriff", catapultou Bob Marley para o estrelato internacional...
Mais um detalhe: O album "Transa" foi lançado na Inglaterra em 1971. Isso significa que ele conseguiu a proeza de lançar um reggae na Inglaterra 2 ANOS ANTES(!!!!!!!) de Bob Marley & The Wailers. O primeiro album dos jamaicanos lançado na Grã-Bretanha foi "Catch a Fire", no ano de 1973!
É avant garde ou não é??
Pois bem, vamos então ao que interessa... a música que inspirou essa postagem, que me encantou e me fez ver como o Caetano é Vanguardeiro...

Nine out of Ten
Caetano Veloso: Voz e Violão
Áureo de Souza: Baixo
Jards Macalé: Guitarra
Tutty Moreno: Bateria e Percussão


(Vinheta de Introdução: REGGAE!!)
(Fade out)
(Riff de guitarra)
Walk down Portobello Road
To the sound of reggae
I'm alive
Aqui Caetano conta como entrou em contato com o rítmo, enquanto passava pelo bairro jamaicano, e como ele se sentiu VIVO!

The age of gold
Is the age of old
The age of gold
The age of music is past
A era de ouro é a era do velho... a era do ouro... a era da música ficou no passado... uma afirmação contundente para um músico! Só assim para "romper todas as estruturas"...
I hear them talk
As I walk I hear them talk
I hear they say: "Expect the final blast"
Aqui, além de exibir sua pronúncia britânica, adquirida no exílio, Caetano ouve os jamaicanos falarem na explosão final... será que há alguma relação com a Profecia Maia para 2012?
Walk down Portobello Road
To the sound of Reggae
I'm Alive

I'm Alive e vivo muito
Vivo, vivo, vivo
Feel the sound of music
Banging in my belly, belly, belly
Opa... começou a antropofagica mistura de inglês e português... e além disso, o intelectual do sertão demonstra aqui seu conhecimento da cultura indiana, ao relacionar sua barriga (Chakra do Plexo Solar) com a música. Segundo a filosofia védica, este é o chakra da sensibilidade ("feel").
Know that one day I must die
I'm alive
And I know that one day I must die
I'm Alive
Yes, I know that one day I must die
I'm alive
Mais uma demonstração da intelectualidade do poeta e músico, versado nas ciências ocultas e na natureza dual da existência (vida-morte). Saibam que um dia Caetano irá morrer! Ele está vivo!
Caetano também rompe aqui as estruturas, ao repetir o primeiro refrão apenas 3 vezes, e não quatro, como manda a tradição desde que os Beatles inventaram a música pop.

I'm Alive e vivo muito
Vivo, vivo, vivo
In the Eletric Cinema
Or in the telly, telly, telly

Nine out of Ten movie stars make me cry
I'm alive
Nine out of Ten movie stars make me cry
I'm alive

Nine out of Ten movie stars make me cry
I'm alive
Nine out of Ten film stars make me cry
I'm alive
Nine out of Ten movie stars make me cry
I'm alive
Vamos por partes, como o Jack gosta...
Eletric Cinema, na Portobello Road, abriu em 1910, e é atualmente o mais antigo e bem-conservado cinema de Londres. Teve até um brasileiro que foi até lá só por causa da música!
Depois Caetano chama televisão de "Telly", utilizando a gíria britânica para o aparelho, ao invés do termo estadunidense "TV" (TíVí). Ele não é culto?
E depois ainda demonstra sua sensibilidade ao admitir que nove entre dez estrelas de cinema o fazem chorar. Foi assim que Caetano revolucionou a crença machista da TFP (Tradição, Família e Propriedade), que dizia que "homem não chora", e estabeleceu novos padrões de comportamento, tornando-se modelo de um novo tipo de sex appeal.
E só para quebrar tudo, ainda chama filme de "Film", exatamente como... os britânicos, claro!
Sem falar que agora ele repete o segundo refrão cinco vezes! Só para não ser pop...
(Repete tudo)
Na repetição da música, mais um lançamento de Caetano que virou moda no mundo da música. Entre uma frase e outra, o músico solta um gritinho "Uh", que sem dúvida alguma inspirou o ícone pop Michael Jackson, no grito que se tornou sua marca registrada, "Au".
Bóra Macau!
Com este grito, Caetano convida o guitarrista Jards Macalé a encerrar a música com um alucinado e primoroso solo de guitarra... o solo já permeava alguns momentos da música, mas agora passa para o primeiro plano...
(Fade out)
(Vinheta de encerramento: REGGAE!)

Ouça a música online aqui.
Veja um clipe da música aqui.

Se me perguntarem, eu não sei de nada...
Mas ouvi falar que você pode encontrar para baixar esta música e todo o album Transa aqui.

E aí, gostou da música? Comente!

Aquele Abraço!

sexta-feira, 16 de janeiro de 2009

Vocês não estão entendendo nada, ou Os Mutantes no pais da Tropicália

 
Em 1964, os irmãos Arnaldo Baptista e Cláudio César Dias Baptista, juntamente com Raphael Vilardi e Roberto Loyola, fundaram o grupo The Wooden Faces. Um ano depois, conheceram e convidaram Rita Lee - então no Teenage Singers - a integrar a banda. Ainda entraria no grupo Sérgio, o caçula na família Baptista. A nova banda passou a se chamar Six Sided Rockers, depois O Conjunto e O´Seis.
Em 1966, como está escrito na Bíblia da Internet Wikipedia, eles gravaram compacto simples pela Continental com as composições "Suicida" (de Raphael e Roberto) e "Apocalipse" (de Raphael e Rita), que vendeu menos de 200 cópias. Ainda naquele ano, Cláudio César, Raphael e Roberto deixariam o grupo. Arnaldo, Rita e Sérgio mantiveram o grupo, que foi rebatizado com o nome definitivo de Os Mutantes - por sugestão de Ronnie Von, que, naquela ocasião, lia "O Império dos Mutantes", (ficção científica de Stefan Wul).
Em 1967, Rogério Duprat, o maestro da Tropicália, os apresentou a Gilberto Gil. Apesar de nenhum dos Mutantes ler cifras e partituras musicais nem conhecer a complexidade harmônica dos arranjos elaborados por Gil e Duprat, a banda mandou muito bem nos ensaios e acabou participando da gravação de "Domingo no Parque", que ganhou o 2º lugar no terceiro Festival de Música Popular Brasileira (TV Record, outubro de 1967 - veja o vídeo desta apresentação aqui, com orquestra e tudo mais. MUUUITO BOM!).



Domingo no Parque - Os Mutantes e Gilberto Gil - Out/67


No mesmo festival, Caetano Veloso apresentou “Alegria, Alegria” com a banda argentina Beat Boys, ficando em 4º (se quiser, veja o vídeo aqui, e repare o jovem Roberto Carlos nos bastidores antes do Caretano Velhoso entrar... pelo video deu pra ver que o Caetano era mais popular que o Gil, mas o juri discordou. Clique aqui para baixar um album com está música, que uma pessoa com total desrespeito pelas leis de Direitos Autorais disponibilizou gratuitamente! Olha que absurdo!!).



Alegria, Alegria - Caetano Veloso e Beat Boys - Out/67


A escolha de Caetano mostrou-se menos acertada do que a de Gil, e a partir daí, Os Mutantes caíram na graça do movimento Tropicalista, vencendo os argentinos, que sempre perdem para os brasileiros...
**** Digressão****
Em Maio de 1968, uma greve geral aconteceu na França. Rapidamente ela adquiriu significado e proporções revolucionárias. Alguns filósofos e historiadores afirmaram que essa rebelião foi o acontecimento revolucionário mais importante do século XX, por que não se deveu a uma camada restrita da população, como trabalhadores ou minorias, mas a uma insurreição popular que superou barreiras étnicas, culturais, de idade e de classe.
Começou como uma série de greves estudantes que irromperam em algumas universidades e escolas de ensino secundário em Paris, após confrontos com a administração e a polícia. À tentativa do governo de de Gaulle de esmagar essas greves com mais ações policiais no Quartier Latin levou a uma escalada do conflito que culminou numa greve geral de estudantes e em greves com ocupações de fábricas em toda a França, às quais aderiram dez milhões de trabalhadores, aproximadamente dois terços dos trabalhadores franceses. Os protestos chegaram ao ponto de levar de Gaulle a criar um quartel general de operações militares para lidar com a insurreição, dissolver a Assembléia Nacional e marcar eleições parlamentares para 23 de Junho de 1968. Um de seus slogans mais famosos foi “Il est interdit d'interdire” (É proibido proibir).
 ****Fim da Digressão****
Em Junho de 1968, Os Mutantes participaram, ao lado de Caetano, Nara Leão, Torquato Neto, Rogério Duprat, Capinam, Tom Zé, Gil e Gal, de "Tropicália: ou Panis et Circencis", disco-manifesto do movimento tropicalista, gravando a faixa-título do LP. (Faça o download do album Baixaqui... mas eu num sei de nada! Ou veja o video deles tocando a faixa título aqui)
Em setembro de 68, participaram do "III Festival Internacional da Canção" (FIC), da TV Bobo Globo, defendendo "Caminhante Noturno" (de Arnaldo, Sérgio e Rita), que acabou classificada em sétimo lugar. Mas o episódio mais emblemático daquele festival foi a apresentação de Caetano acompanhado dos Mutantes como banda de apoio.
Domingo, 15 de setembro de 1968. A apresentação de “É proibido proibir” entrou para a História naquela noite. Na final paulista do FIC, realizada no Teatro da Universidade Católica de São Paulo (TUCA), a música de Caetano foi recebida com furiosa vaia pelo público que lotava o auditório.
 Os Mutantes mal começaram a tocar a introdução da música e a platéia já atirava ovos, tomates e pedaços de madeira contra o palco. O provocativo Caetano apareceu vestido com roupas de plástico brilhante e colares exóticos. Entrou em cena rebolando, fazendo uma dança erótica que simulava os movimentos de uma relação sexual. Escandalizada, a platéia deu as costas para o palco. Ato contínuo... sem parar de tocar, Os Mutantes viraram as costas para o público.
Gil foi atingido na perna por um pedaço de madeira, mas não se rendeu. Em tom de deboche, mordeu um dos tomates jogados ao chão e devolveu o resto à irada platéia. Caetano fez um longo e inflamado discurso que quase não se podia ouvir, tamanho era o barulho dentro do teatro.
Guitarras em punho, ouviram uma das maiores vaias da história da música brasileira. Se não a maior, pelo menos a mais célebre. Irônico, ele cantava “Proibido Proibir”. As vaias eram contra as guitarras, que no imaginário da época maculavam a verdadeira MPB, eram sinal de alienação cultural.
Revoltado com a recepção, Caetano fez um longo e inflamado discurso que quase não se podia ouvir, por causa do barulho dentro do auditório.
Ouça o discurso e leia a transcrição, na íntegra, abaixo (ou clique aqui pra baixar um album com essa e outras pérolas... continuo sem saber de nada):
Mas é isso que é a juventude que diz que quer tomar o poder?
Vocês têm coragem de aplaudir, este ano, uma música, um tipo de música que vocês não teriam coragem de aplaudir no ano passado!
São a mesma juventude que vão sempre, sempre, matar amanhã o velhote inimigo que morreu ontem!
Vocês não estão entendendo nada, nada, nada, absolutamente nada.
Hoje não tem Fernando Pessoa.
Eu hoje vim dizer aqui, que quem teve coragem de assumir a estrutura de festival, não com o medo que o senhor Chico de Assis pediu, mas com a coragem, quem teve essa coragem de assumir essa estrutura e fazê-la explodir foi Gilberto Gil e fui eu. Não foi ninguém, foi Gilberto Gil e fui eu!
Vocês estão por fora! Vocês não dão pra entender. Mas que juventude é essa? Que juventude é essa? Vocês jamais conterão ninguém. Vocês são iguais sabem a quem? São iguais sabem a quem?
Tem som no microfone?
Vocês são iguais sabem a quem? Àqueles que foram na Roda Viva e espancaram os atores! Vocês não diferem em nada deles, vocês não diferem em nada. E por falar nisso, viva Cacilda Becker!
Viva Cacilda Becker! Eu tinha me comprometido a dar esse viva aqui, não tem nada a ver com vocês.
O problema é o seguinte: vocês estão querendo policiar a música brasileira. O Maranhão apresentou, este ano, uma música com arranjo de charleston. Sabem o que foi? Foi a Gabriela do ano passado, que ele não teve coragem de, no ano passado, apresentar por ser americana. Mas eu e Gil já abrimos o caminho.
O que é que vocês querem? Eu vim aqui para acabar com isso!
Eu quero dizer ao júri: me desclassifique. Eu não tenho nada a ver com isso. Nada a ver com isso. Gilberto Gil. Gilberto Gil está comigo, para nós acabarmos com o festival e com toda a imbecilidade que reina no Brasil. Acabar com tudo isso de uma vez. Nós só entramos no festival pra isso. Não é Gil? Não fingimos. Não fingimos aqui que desconhecemos o que seja festival, não. Ninguém nunca me ouviu falar assim. Entendeu?
Eu só queria dizer isso, baby. Sabe como é? Nós, eu e ele, tivemos coragem de entrar em todas as estruturas e sair de todas. E vocês? Se vocês forem... se vocês, em política, forem como são em estética, estamos feitos! Me desclassifiquem junto com o Gil! junto com ele, tá entendendo?
E quanto a vocês... O júri é muito simpático, mas é incompetente.
Deus está solto!
(cantando) Me dê um beijo, meu amor, eles estão nos esperando, os automóveis ardem em chamas!
(declamando) Derrubar as prateleiras, as estantes, as estátuas, as vidraças, louças, livros, sim! E eu digo,
(gritando) sim! E eu digo, não ao não! E eu digo: (cantando) É Proibido proibir.
(Gritando histéricamente) Fora do tom, sem melodia. Como é júri? Não acertaram qualificar a melodia de Gilberto Gil? Ficaram por fora. Gil fundiu a cuca de vocês, hein? É assim que eu quero ver. Chega! ...

A letra da música (que pode ser baixada aqui, mas não fui eu que dsiponibilizei!), que nem chegou a ser ouvida naquela noite:
Proibido Proibir – Caetano Veloso
A mãe da virgem diz que não
E o anúncio da televisão
E estava escrito no portão
E o maestro ergueu o dedo
E além da porta
Há o porteiro, sim...
E eu digo não
E eu digo não ao não
Eu digo: É!
Proibido proibir
É proibido proibir
É proibido proibir
É proibido proibir...
Me dê um beijo, meu amor
Eles estão nos esperando
Os automóveis ardem em chamas
Derrubar as prateleiras
As estantes, as estátuas
As vidraças, louças
Livros, sim...
E eu digo sim
E eu digo não ao não
E eu digo: É!
Proibido proibir
É proibido proibir
É proibido proibir
É proibido proibir....
No final de 68, os Mutantes estiveram no "IV Festival da Música Popular Brasileira" da TV Record, defendendo "Dom Quixote" e "2001", esta última parceria de Rita Lee com Tom Zé (Confira o video de 2001 aqui e perceba que a fase das vaias já tinha acabado."Vocês têm coragem de aplaudir, neste ano festival, uma música, um tipo de música que vocês não teriam coragem de aplaudir no ano festival passado!").



2001 - Os Mutantes e Gilberto Gil (acordeon) - 1968


Em 1969, os Mutantes realizaram o seu último show com Caetano e Gil. Foi durante a temporada na carioca boate Sucata, no qual ocorreu o famoso incidente da bandeira nacional, que, supostamente, fora desrespeitada, no entender dos militares que governavam o Brasil naquela época. Durante o espetáculo, foi pendurada no cenário do show uma bandeira, obra do artista plástico Hélio Oiticica, com a inscrição "Seja Marginal, Seja Herói", com a imagem de um traficante famoso naquela época, o Cara-de-Cavalo, que havia sido assassinado violentamente pela polícia. Os militares alegaram ainda que Caetano teria cantado o Hino Nacional inserindo versos ofensivos às Forças Armadas. Isto tudo serviria de pretexto político para que os militares suspendessem o show e prendessem Caetano e Gil, que acabaram sendo deportados. O episódio é considerado como o fim do movimento vanguardista.

Curtiu? Comentaí!

Atualização do post!
Descobri o poema de Fernando Pessoa que Caetano recita na música Proibído Proibir, na versão gravada no estúdio.
É o poema " MENSAGEM", na "Terceira Parte-O ENCOBERTO", Primeiro- OS SÍMBOLOS, Primeiro- D. SEBASTIÃO
Esperai! Cai no areal e na hora adversa
Que Deus concede aos seus
Para o intervalo em que esteja a alma imersa
Em sonhos que são Deus.

Que importa o areal e a morte e a desventura
Se com Deus me guardei?
É O que eu me sonhei que eterno dura,
É Esse que regressarei.

quinta-feira, 8 de janeiro de 2009

Indústria Cultural

No final de 2008 recebi meu primeiro cachê como artista, pelo Bando Árvore Sagrada. Claro que com a banda Novo Quilombo a gente já tinha levantado uma graninha com uns shows, e o Árvore também já rendeu algo, mas sempre essa verba ia para o grupo, para investir em equipamentos, pagar custos de transporte, etc, etc...
Pois bem, sabe quanto foi o cachê pra cada integrante? R$40!! Isso porque conseguimos lotar o teatro nos dois horários...
Descontando os R$30 de contribuição mensal ao grupo, sobrou 10 pila...
Essa é a situação de quem está correndo à margem da chamada Indústria Cultural, ou melhor dizendo, batendo de frente com ela...

Momento Irônico
Mas sabe que, conversando com uns amigos meus alemães, percebi que ainda estamos bem (se comparados aos gringos). Enquanto na gringolândia só existe o "pesadelo do pop", aqui a chamada  Indústria Cultural tem um leque de escolha de ritmos e estilos musicais muito mais rica. Em um ano, escolhem o sertanejo. No outro, o samba-reggae (a.k.a. AXÉ Music). Depois, forró... samba-rock... pagode... funk carioca... tá certo que a qualidade dos "símbolos" escolhidos para cada modinha é bem discutível, mas pelo menos não ficamos alternando entre New Kids on The Block, Backstreet Boys, Spice Girls, Britney Spears, Amy Winehouse, Avril Lavigne, blábláblá...


Indústria Cultural
por Marcos Nobre*

O TEÓRICO SOCIAL Theodor W. Adorno (1903-1969) voltou à cena nos combates culturais das últimas semanas.
Principalmente por ter criado o termo "indústria cultural" para circunscrever o lugar da arte e da cultura no capitalismo altamente desenvolvido do século 20.
As referências a Adorno no debate cultural não costumam ser lisonjeiras. Ele é caracterizado como elitista, hermético e superado. Um mal-humorado incorrigível que não gostava de jazz.
Ridicularizar uma figura como Adorno é mais fácil do que discutir a sério as relações entre capitalismo e cultura. Mais fácil do que explicar por que um conceito criado há mais de 60 anos continua a ser o ponto de partida do debate até hoje.
A idéia é simples como toda boa idéia. Com o desenvolvimento do capitalismo, também a arte passa a ser cada vez mais regida por princípios de mercado. Em um sentido bem preciso: o formato mercadoria passa a determinar a própria forma de produção da arte.
A idéia fundamental é a de que há padrões, "standards" de produção da arte que têm de ser respeitados se quem produz arte quiser ter sucesso. E isso quer dizer: se quiser vender seu produto no mercado.
O resultado é conformista. A arte se torna um tipo de tranqüilizante contra as dores do cotidiano.
Para combater esse resultado, Adorno dava como exemplo a arte que não é produzida segundo esses padrões impostos previamente pelo mercado. E mostrou que havia uma recepção dessa arte que reproduzia a mesma atitude crítica do momento da criação da obra.
Mas isso não basta. Quem não quer abrir mão de uma posição crítica como a defendida por Adorno se obriga a investigar com cuidado o funcionamento concreto do mercado cultural. Para conseguir captar o sentido de suas transformações.
Foi só nos últimos meses de sua vida que Adorno percebeu que mudanças importantes estavam acontecendo em relação ao diagnóstico que tinha feito na década de 1940.
Mas não chegou a analisar em profundidade indicações de que uma atitude crítica na recepção dos produtos da indústria cultural estava surgindo.
Também não chegou a ter clareza de que a expansão e a diversificação do mercado abriam brechas significativas de resistência e de contestação. Muito menos chegou a ver que novas formas de produção artística questionavam o mercado de dentro, politizando a vida cotidiana com uma amplitude inédita.
Apontar a insuficiência das análises de Adorno para o momento presente é certamente essencial. Mas não se confunde com o conformismo de jogar fora Adorno com a água da crítica.

Comentário
por João Moura Brasil, um camarada meu


Existiu meio que um debate entre Walter Benjamin e Adorno nessa questão. Benjamin achava que a Indústria Cultural só poderia existir se ela conseguisse se apropriar de algo novo, que se identificasse com as massas, enquanto Adorno via ela como cópia da cópia.
Se fala que o Adorno criticou o jazz, mas é possível que ele só tenha ouvido aquele swing tanga frouxa que dominava as rádios da época [devia ser um lixo mesmo]. Acho que ele engoliria a sua caneta se tivesse visto John Coltrane tocar, mas certamente o vovozinho estava em sua casa tocando Mozart quando isso aconteceu.
Essas "brechas" de que fala o texto de Marcos Nobre só mostram que o capitalismo chegou ao auge da divisão do trabalho: pessoas trabalham para criticá-lo sem nenhum compromisso com uma reforma.
Isso para não falar na falência da crítica, que não é mais ouvida, já que hoje cada um pode decidir por si [falou então!].
Se Adorno falava de uma indústria cultural fordista, não viveu para ver o seu momento de acumulação flexível. O que se fala em marketing hoje são justamente os nichos, não mais uma produçãoo para massas. O ganho estáa em fazer produtos que, in limite, se adaptem a cada consumidor individual, ou formando identidades via todo esse papo de formadores de opinião  falando sobre "ser você mesmo" [via mercadoria, claro].
*Fonte: Folha de São Paulo
Foto: Morada, Árvore Sagrada, por Lorena Sasaki

segunda-feira, 5 de janeiro de 2009

Velho de novo

O cineasta Bruno Borio fez este curta-metragem muito legal, que questiona a sociedade de consumo em que vivemos. Veja o filme em alta qualidade aqui. Ou em baixa qualidade no YouTube:


Nas palavras do próprio Bruno (direto do Blogue do filme):
A partir de discussão sobre o tema Indústria Cultural, minha atenção foi atraída para um fenômeno ocorrente no processo de incentivo ao consumo por parte desta. O fato de que os objetos, coisas vendáveis, serem supervalorizados enquanto são apresentados como novidade e, na medida em que são atualizados por novos produtos, sua preciosidade entra em declínio com velocidade surpreendente. Esta descartabilidade com que nossa sociedade encara seus pertences foi motriz para a elaboração do roteiro do filme “Velho de novo”, que através desta pesquisa critica o consumo desenfreado. Nele um personagem animado corre contra o tempo, inserto do que está buscando, porém incapaz de fugir do sistema imposto pelo seu meio. Literalmente é envolvido e aprisionado por este, até o momento em que adquire esclarecimento e tenta se livrar deste ciclo. Neste momento então ele pode observar claramente este processo de envelhecimento quando seu celular, outrora de última geração, começa a regredir no tempo, passando por modelos obsoletos em relação a ele, até chegar em um aparelho utilizado nos primórdios da telefonia. O final permanece em aberto, porém aponta para um alerta de que esta desvalorização do objeto transparece o modo como nossa sociedade também desvaloriza seus indivíduos.
O intuito da obra é o esclarecimento das pessoas, bem como o incentivo para a atualização de suas idéias. Atualização no sentido de transformar em ato suas manifestações, ainda psíquicas, de autenticidade.
Parabéns Bruno, pela mensagem...
Não perca sua originalidade por nada desse mundo!

Um abração
Gabriel Dread

quinta-feira, 1 de janeiro de 2009

Calendario das 13 Luas de 28 dias

Feliz Ano novo?? Hoje não é Ano Novo! Porque esta data? Porque este período do ano?
No Calendário Maia, o ano se inicia em 26 de Julho (Calendário Gregoriano), que é o dia em que Sírius, a estrela mais próxima da Terra depois do Sol, nasce na mesma hora em que o Sol.

Mas o que é o Calendário Maia ou Calendário das 13 Luas de 28 Dias?
Este é o calendário do Novo Tempo, também conhecido como o “Calendário da Paz”. É um calendário galáctico para toda a humanidade. Trata-se do instrumento para a sincronização galáctica do ser humano na sua freqüência natural conhecida como 13:20.
Ele é assim denominado porque, se você o seguir regularmente, pouco a pouco irá entrando em um processo de sincronicidade. A conseqüência será que, com certeza, você passará a estar, com muito mais freqüência, no lugar certo, na hora certa, encontrando a pessoa certa e fazendo a coisa certa. E nem precisará de relógio para isso, pois o relógio biológico que existe em você, começará a funcionar.

A harmonia se instalará em sua vida e a paz, que sempre começa com cada um de nós, será uma realidade para você e contagiará outros. Pode ter certeza de que funciona. É só experimentar.

Vamos Sair da Freqüência Errada 12:60

É nesta freqüência, que é uma freqüência artificial do tempo, que está vivendo o ser humano.
Ela é produzida pelo calendário gregoriano que nos rege em nosso dia a dia e que tem 12 meses irregulares, com números diferentes de dias nos meses (como 28, 29, 30 e 31, que não representam os ciclos naturais) e pelo relógio mecânico, agora digital, que nos mantêm prisioneiros na terceira dimensão, marcando horas de 60 minutos.
Estes foram os ingredientes que nos tiraram da nossa freqüência natural, após tantos anos de utilização dos mesmos.
A conseqüência, para o ser humano, de viver fora da sua freqüência natural, é que somos os únicos seres do planeta que precisamos pagar para nascer, pagar para viver e pagar para morrer, o que não acontece com as demais espécies.
Com isso criamos uma sociedade completamente materialista, dominada pelo dinheiro, pelas máquinas, pelas bolsas de comércio e outras, e somos nós que estamos provocando todos os tipos de desequilíbrios existentes, como guerras absurdas; contaminação atmosférica criminosa; produção de armas e bombas destrutivas para matar nossos próprios irmãos; desigualdades sociais gritantes; utilização de drogas que causam dependência física e psíquica; consumismo absurdo, com desperdício criminoso de recursos naturais; construção de cidades gigantescas, que se tornam cada vez mais inabitáveis e todos os demais problemas que conhecemos.
A propósito de cidades gigantescas, vejam o exemplo de São Paulo, onde existem mais de oito milhões de habitantes e transitam por suas ruas e avenidas em torno de quatro milhões e duzentos mil veículos, ou seja, mais ou menos um veículo para cada dois habitantes. E observem a que ponto chega a nossa insensatez: as ruas já estão abarrotadas de automóveis e não há mais espaços a serem aproveitados para aumentar a área de circulação. Apesar disso, diariamente, estamos colocando mais centenas e centenas de novos automóveis para circularem pelos espaços existentes e já congestionados.
Não bastasse toda essa irracionalidade, imaginem quantas milhares de toneladas de monóxido de carbono, gás mortífero, estamos atirando diariamente na atmosfera!

Freqüência Natural 13:20

A freqüência 13:20 é a freqüência natural para todos os seres de todos os pontos da galáxia, em que se vive em harmonia com a natureza e, por isso, nada lhes falta e não há desequilíbrio entre eles.
Ela é 13:20 porque é formada por ciclos naturais, sendo os dois principais o 13 e o 20, que representam os 13 tons galácticos da criação e as 20 freqüências solares, que são os 20 selos das 20 tribos solares. É preciso respeitar os ciclos naturais se quisermos viver em harmonia com a natureza e 13:20 é a nossa freqüência natural.

Um Calendário Diferente e Harmonioso

Ele é um calendário regular, harmonioso, que respeita os ciclos naturais. É formado por 13 períodos anuais, os quais, ao invés de meses, são chamados de luas, e todos eles tem 28 dias cada um, que é o ciclo biológico natural. O grande exemplo do ciclo biológico natural é o ciclo menstrual da mulher, que dura 28 dias. Este calendário respeita isso.

O Dia de hoje no Calendário Maia











Fonte: Calendário da Paz





Assinatura Galáctica


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Guia
Poder Guia

01 / 01 / 2009
Crono-Psi: 120


Kin 58
Espelho Rítmico Branco


Organizo com o fim de refletir
Equilibrando a ordem
Selo a matriz do infinito
Com o tom rítmico da igualdade
Eu sou guiado pelo meu próprio poder duplicado

Sou um portal de ativação galáctica,
entra por mim

'A ordem, o conhecimento e harmonia equilibram a abundância da vida.'



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