segunda-feira, 30 de março de 2009

Agricultura ecológica produz mais e melhor


Por Lim Li Ching*

Oakland, Estados Unidos, 9 de março (Terramérica) - Embora poucos questionem que a agricultura ecológica seja melhor para o meio ambiente e as pessoas, existe o temor sobre sua suposta insuficiência produtiva. Estudos recentes mostram que os rendimentos da agricultura ecológica são, em geral, compráveis aos da convencional em países desenvolvidos e significativamente altos em regiões em desenvolvimento, especialmente onde os investimentos são baixos, como na África. Um estudo mundial, com dados de 293 exemplos (Catherine Badgley, 2007), constatou que a diferença de rendimento da agricultura orgânica (que não utiliza produtos agroquímicos) com a não orgânica era pouco inferior a 1 no mundo desenvolvido, mas superior a 1 nas nações em desenvolvimento.

Em média, sistemas orgânicos em nações ricas chegam a 92% do rendimento dos convencionais, enquanto em países em desenvolvimento agricultores orgânicos produzem 80% mais do que os tradicionais. Os pesquisadores estimaram que hipoteticamente os métodos orgânicos poderiam produzir alimentos suficientes, sobre uma base global por pessoa, para manter a população mundial e, talvez, uma maior, sem acrescentar mais terras à produção. Os dados sugerem que fazer plantação de proteção com leguminosas pode fixar suficiente nitrogênio no solo como os fertilizantes sintéticos em uso.

Em uma avaliação de 286 projetos em 57 países, descobriu-se que os agricultores aumentaram sua produtividade em 79%, em média, ao adotar uma série de práticas, como manejo integrado de pragas e nutrientes, cultivos de conservação do solo, agrorreflorestamento, coleta de água em terras secas e integração de pecuária e aquicultura nos sistemas agrícolas. Essas práticas também reduziram efeitos adversos sobre o meio ambiente e renderam benefícios, como a mitigação da mudança climática, evidenciados em um uso mais eficiente da água, absorção de carbono e menor uso de pesticidas.

Outros dados parciais mostram que:
- A média de produção de alimentos subiu 73%, para 4.042.000 pequenos agricultores de cereais e tubérculos em 3,6 milhões de hectares.
- A produção de alimentos aumentou 150%, para 146 mil produtores em 543 mil hectares de tubérculos (batata, batata-doce, mandioca).
- A produção total aumentou 46% em propriedades agrícolas maiores na América Latina.
- Na África, o aumento do rendimento médio das colheitas foi maior do que a média de 79%, com 116% para todos os projetos estudados de produção orgânica no continente e 128% no leste da África.

Os estudos sobre produção de alimentos com métodos orgânicos mostram crescimento na produtividade por hectare, o que desmente a crença de que a agricultura orgânica não pode aumentar a produtividade agrícola. Dados de 2002, 2003 e 2004 do Projeto Tigray (Etiópia), em curso desde 1996, mostraram que, em média, as terras fertilizadas com compostagem (humus obtido por decomposição de resíduos orgânicos) deram rendimentos muito superiores às tratadas com adubos químicos.

Em Honduras e na Guatemala, 45 mil famílias quase quintuplicaram os rendimentos com uso de adubos verdes e esterco animal, cultivos de cobertura do solo, faixas-filtro de ervas para capturar potenciais contaminantes, e lavoura entre fileiras. Agricultores das difíceis regiões montanhosas do Peru, Equador e da Bolívia triplicaram os rendimentos da batata, principalmente com adubos verdes.

No Brasil, o uso de adubos verdes e plantações de proteção aumentou o rendimento do milho entre 20% e 250%, enquanto no Peru a restauração das terraças de cultivo pré-colombianas levou a aumentos de 150% em colheitas no Altiplano. Em Honduras, práticas de conservação do solo e fertilizantes orgânicos triplicaram ou quadruplicaram os rendimentos. Em Cuba, com mais de sete mil hortas orgânicas urbanas, a produção saltou de 1,5 quilo para quase 20 por metro quadrado.

Na Ásia, a irrigação compartilhada nas Filipinas elevou o rendimento dos arrozais em cerca de 20%. Além disso, há informes de aumentos de 175% em fazendas do Nepal que adotaram práticas agroecológicas, enquanto no Paquistão os rendimentos de manga e cítricos subiram entre 150% e 200% graças a técnicas como cobertura das plantas com resíduos vegetais, semeadura direta e o uso de compostagem, entre outras.

A Avaliação Internacional do Conhecimento, da Ciência e da Tecnologia no Desenvolvimento Agrícola (IAASTD), um estudo de três anos publicado em 2008, afirma que é preciso aprofundar a pesquisa e a implementação de técnicas agroecológicas para enfrentar os problemas ambientais e aumentar a produtividade. Além disso, os enfoques ecológicos permitem melhorar a produção local de alimentos com baixos custos, técnicas e insumos acessíveis e livres de dano ambiental.

*Lim Li Ching é pesquisadora do Oakland Institute e do Programa de Biosegurança da Rede do Terceiro Mundo. Direitos exclusivos IPS.
Crédito da imagem: Fabrício Vanden Broeck
Artigo produzido para o Terramérica, projeto de comunicação dos Programas das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma) e para o Desenvolvimento (Pnud), realizado pela Inter Press Service (IPS) e distribuído pela Agência Envolverde.
(Envolverde/Terramérica)
©Copyleft - É livre a reprodução exclusivamente para fins não comerciais, desde que o autor e a fonte sejam citados e esta nota seja incluída

Esta postagem faz parte da blogagem coletiva de Sonia Mascaro, criadora do Ecological Day do blog LEAVES OF GRASS em parceria com CALIANDRA DO CERRADO.
Dica de Luma Rosa.

sexta-feira, 27 de março de 2009

Ciberativismo

O que é e o que fazer para apoiar
Hora do Planeta (Earth Hour)
Em defesa das escola itinerantes do MST-PR
Movimento por um Código Ambiental Legal em SC
Shutdown Day
Hora do Planeta

Cadastre-se na Hora do Planeta! - PARTICIPANTE: Irradiando Luz - Gabriel Dread

   WWF Hora do Planeta 2009 - Cadastre-se na Hora do Planeta!

Você reparou neste banner aí? Faz algum tempo que aderi ao movimento "Hora do Planeta" (Earth Hour em inglês), promovido pela WWF - World Wide Fund for Nature.
A Hora do Planeta é um ato simbólico no qual governos, empresas e a população de todo o mundo são convidados a demonstrar sua preocupação com o aquecimento global e as mudanças climáticas. O gesto simples de apagar as luzes por sessenta minutos, possível em todos os lugares do planeta, tem o significado de chamar para uma reflexão sobre o tema ambiental.
Em 2009, a Hora do Planeta será realizada no dia 28 de março (amanhã!), das 20h30 às 21h30, e pretende contar com a adesão de mais de mil cidades e 1 bilhão de pessoas em todo o mundo. Mais de 170 cidades de 62 países já confirmaram sua adesão à Hora do Planeta.
O impacto do banner que disponibilizei aqui no Irradiando Luz foi o seguinte (segundo dados de 24 de Março):
Hora do Planeta 2009 foi visto 3.838 vezes. 34 pessoas clicaram nele. Obrigado. 4 pessoas já aderiram à campanha!
Não aderiu ainda? Está esperando o que?

Veja o vídeo da campanha repleto de celebridades.

 Em defesa das escola itinerantes do MST-PR
A governadora do Rio Grande do Sul, Yeda Crucius, e parte direitista do Ministério Público do estado estão golpeando as Escolas Itinerantes do Movimento dos Sem-Terra (MST) no Rio Grande do Sul, decretando o banimento dessas instituições educativas. O ato de proscrever essa inspiradora iniciativa educativa do MST é parte do processo de criminalização e de expulsão do MST do estado, conforme vem sendo denunciado pelas entidades democráticas de dezenas de países.
Para proteger os latifúndios e as corporações, em especial as de celulose, Yeda e seus aliados querem cortar o que julgam ser o "mal pela raiz": a educação das crianças, dos jovens e dos adultos que estão acampadas há anos, pois nada é feito em prol da reforma agrária. A governadora quer silenciá-los.
Alguns apoiadores da campanha em prol das escolas itinerantes do MST:
Carlos Walter Porto-Gonçalves - UFF
Eduardo Galeano - Escritor (Uruguai)
Emir Sader - UERJ, Secretário Executivo do CLACSO
Gaudêncio Frigotto - UERJ
Ivana Jinkings - Editora Boitempo
Marcelo Badaró - UFF
Roberto Leher - UFRJ
Virgínia Fontes - UFF e Fiocruz
Adesões:  http://www.Petition Online.com/ 05032009/
Manifesto dirigido para:
Yeda Crusius: governadora@gg.rs.gov.br; Ministério Público: pgj@mp.rs.gov.br; Assembléia Legislativa - Presidente Ivar Pavan (PT): ivarpavan@al.rs.gov.br
c/c: MST RS: mstrs@mst.org.br

Movimento por um Código Ambiental Legal em SC
Você é favorável a uma legislação que ajude a prevenir desastres sócio-ambientais em Santa Catarina?  Que ajude a prevenir secas e enchentes? Que auxilie a zelar pelo patrimônio particular e público? Que estimule um desenvolvimento econômico ainda maior? Que permita que Santa Catarina continue sendo bela? Se assim for, então você é a favor de um código ambiental legal e vai querer visitar este site. Leia mais
Diante da catástrofe socioambiental acontecida em Santa Catarina e do grande número de manifestações contrárias ao Projeto de Lei 0238/2008 nas audiências públicas por parte de técnicos, pesquisadores e ambientalistas, fazemos um apelo público através deste abaixo-assinado, para que se promova uma discussão mais aprofundada sobre o conteúdo e as conseqüências da referida lei, que poderão agravar ainda mais a vulnerabilidade da ocupação humana e o equilíbrio ambiental.
  O primeiro resultado positivo deste abaixo-assinado, iniciado no dia 29 de novembro, foi obtido no dia 3 de dezembro, no momento em que os presidentes das comissões de Constituição e Justiça, Finanças, Agricultura, Turismo e Meio-Ambiente da Assembléia Legislativa decidiram pela ampliação do prazo para emendas e votação do Projeto de Lei que cria o Código Ambiental para o Estado de Santa Catarina.  A ampliação do prazo possibilitará a apresentação de emendas até 27 de fevereiro, sendo que a votação da matéria nas comissões acontecerá em 31 de março de 2009.
A partir de agora o abaixo-assinado pleiteia o aprofundamento da discussão, para a construção de um documento que atenda os parâmetros legais estipulados pela Constituição Federal de 1988: manutenção de um ambiente ecologicamente equilibrado, bem de uso comum do povo e essencial à sadia qualidade de vida.
Assine aqui este abaixo-assinado.

Shutdown Day: Você sobrevive 24h com seu computador desligado?
Shutdown Day é um experimento global online, cujo propósito é fazer as pessoas refletirem sobre como suas vidas mudaram com o aumento do uso do computador. Será que não estamos perdendo algumas coisas boas por causa disso?
A idéia do projeto é simples: simplesmente desligue seu computador por um dia inteiro! Sim, 24 horas sem ser nerd, será que você aguenta? Aproveite e envolva-se em outras atividades, como curtir a natureza, fazer esportes, se divertir com seus amigos e sua família... simplesmente lembrar-se que (ainda) existe um mundo fora da tela do computador.
Acesse o site e participe. A data para viver fora da Matrix é 02 de Maio de 2009!

Chegamos assim ao famoso "fim da internet" (The End of the Internet):
Parabéns! Esta é a última página!
Você precisa agora desligar seu computador.
Vá ler um livro, pelo amor de Jah!

Abração
Gabriel Dread
Ps: para uma definição de Cyberativismo, consulte Luz de Luma, Yes Party!

quinta-feira, 26 de março de 2009

Diaper Free, Higiene Natural do Bebê

Nara Rosa sem Fraldas
Estamos usando o método de Higiene Natural com nossa filha Nara Rosa desde que ela tem 2 meses de idade e funciona muito bem mesmo!
Agora a Tamara, quem nos apresentou esta técnica, fará uma palestra sobre o tema aqui em Floripa.
Diaper Free - Higiene Natural do Bebê: Método sem fraldas desde o parto

Esta palestra da uma introdução de como criar um bebê sem ou com menos
fraldas, através de um método natural, não coercivo e antigo (ainda
hoje aplicado na maioria dos bebês do mundo, por exemplo na Asia e
Africa) que respeita as necessidades da criança e se baseia na
comunicação entre pais e filhos. O método, também chamado de
"Elimination Communication" em inglês, e reconhecido por pediatras
internacionais e beneficia os pais (evita gastos e aborrecimentos por
ter que trocar fraldas durante trés anos ou mais, e aprofunda a
comunicação com o seu filho), a criança (prevenção de assaduras,
cólicos e choro, melhora a consciência do seu próprio corpo), e o meio
ambiente (menos lixo produzido, preservação de árvores, água e
petróleo, os quais são usados na produção de fraldas). A Higiene
Natural do bebê pode ser iniciada logo após o parto ou idealmente nos
primeiros 5 meses da vida, pelo qual o curso se destina também a
casais grávidos. A palestra esta aberta para todas as pessoas
interessados e também para pais que já usam o método para compartilhar
experiencias e aprofundar os conhecimentos.

Siga o link para ver mais informação sobre "Diaper Free - Como criar
um bebe sem fraldas":
http://www.slingando.com/index.php/Bebe-sem-Fraldas/10-criar-um-bebe-sem-fraldas.html#10

Palestrante: Tamara Hiller
http://www.slingando.com
e-mail: contato@slingando.com

Faça sua inscrição escrevendo um e-mail a contato@slingando.com e
garanta a sua vaga.

15 Reais por pessoa
25 Reais por casal

Data e local da palestra:

Sábado, 28.03.2009
Horário: 15:00 até 17:00
Local: Centro do Ser, Estrada geral do Canto da Lagoa, 1408, próximo à pizzaria Nave Mãe
Veja como chegar aqui:
http://www.centrodoser.pro.br/centroser/site/interna.asp?secao_id=43

Foto: Nara Rosa no baldinho, por Gabriel Dread

Há Metafísica Bastante em Não Pensar em Nada

V - Há Metafísica Bastante em Não Pensar em Nada
por Alberto Caeiro*

Há metafísica bastante em não pensar em nada.
O que penso eu do mundo?
Sei lá o que penso do mundo!
Se eu adoecesse pensaria nisso.
Que idéia tenho eu das cousas?
Que opinião tenho sobre as causas e os efeitos?
Que tenho eu meditado sobre Deus e a alma
E sobre a criação do Mundo?
Não sei.Para mim pensar nisso é fechar os olhos
E não pensar. É correr as cortinas
Da minha janela (mas ela não tem cortinas).
O mistério das cousas? Sei lá o que é mistério!
O único mistério é haver quem pense no mistério.
Quem está ao sol e fecha os olhos,
Começa a não saber o que é o sol
E a pensar muitas cousas cheias de calor.
Mas abre os olhos e vê o sol,
E já não pode pensar em nada,
Porque a luz do sol vale mais que os pensamentos
De todos os filósofos e de todos os poetas.
A luz do sol não sabe o que faz
E por isso não erra e é comum e boa.

Metafísica? Que metafísica têm aquelas árvores?
A de serem verdes e copadas e de terem ramos
E a de dar fruto na sua hora, o que não nos faz pensar,
A nós, que não sabemos dar por elas.
Mas que melhor metafísica que a delas,
Que é a de não saber para que vivem
Nem saber que o não sabem?
"Constituição íntima das cousas"...
"Sentido íntimo do Universo"...
Tudo isto é falso, tudo isto não quer dizer nada.
É incrível que se possa pensar em cousas dessas.
É como pensar em razões e fins
Quando o começo da manhã está raiando, e pelos lados das árvores
Um vago ouro lustroso vai perdendo a escuridão.
Pensar no sentido íntimo das cousas
É acrescentado, como pensar na saúde
Ou levar um copo à água das fontes.
O único sentido íntimo das cousas
É elas não terem sentido íntimo nenhum.
Não acredito em Deus porque nunca o vi.
Se ele quisesse que eu acreditasse nele,
Sem dúvida que viria falar comigo
E entraria pela minha porta dentro
Dizendo-me, Aqui estou!
(Isto é talvez ridículo aos ouvidos
De quem, por não saber o que é olhar para as cousas,
Não compreende quem fala delas
Com o modo de falar que reparar para elas ensina.)
Mas se Deus é as flores e as árvores
E os montes e sol e o luar,
Então acredito nele,
Então acredito nele a toda a hora,
E a minha vida é toda uma oração e uma missa,
E uma comunhão com os olhos e pelos ouvidos.
Mas se Deus é as árvores e as flores
E os montes e o luar e o sol,
Para que lhe chamo eu Deus?
Chamo-lhe flores e árvores e montes e sol e luar;
Porque, se ele se fez, para eu o ver,
Sol e luar e flores e árvores e montes,
Se ele me aparece como sendo árvores e montes
E luar e sol e flores,
É que ele quer que eu o conheça
Como árvores e montes e flores e luar e sol.
E por isso eu obedeço-lhe,
(Que mais sei eu de Deus que Deus de si próprio?).
Obedeço-lhe a viver, espontaneamente,
Como quem abre os olhos e vê,
E chamo-lhe luar e sol e flores e árvores e montes,
E amo-o sem pensar nele,
E penso-o vendo e ouvindo,
E ando com ele a toda a hora.

*Alberto Caeiro (16 de Abril de 1889 - 1915) é considerado o mestre dos heterônimos de Fernando Pessoa, apesar da sua pouca instrução.
Foi um poeta ligado à natureza, que despreza e repreende qualquer tipo de pensamento filosófico, afirmando que pensar obstrui a visão ("pensar é estar doente dos olhos"). Proclama-se assim um anti-metafísico. Afirma que, ao pensar, entramos num mundo complexo e problemático onde tudo é incerto e obscuro. À superfície é fácil reconhecê-lo pela sua objetividade visual, que faz lembrar Cesário Verde, citado muitas vezes nos poemas de Caeiro por seu interesse pela natureza, pelo verso livre e pela linguagem simples e familiar. Apresenta-se como um simples "guardador de rebanhos" que só se importa em ver de forma objetiva e natural a realidade. É um poeta de completa simplicidade, e considera que a sensação é a única realidade.
Fernando Pessoa formulou 3 princípios do sensacionismo:
  • Todo objeto é uma sensação nossa;
  • Toda a arte é a convenção de uma sensação em objeto;
  • Portanto, toda arte é a convenção de uma sensação numa outra sensação.
E Caeiro foi o heterônimo que melhor interpretou esta tese, pois só lhe interessava vivenciar o mundo que captava pelas sensações, recusando o pensamento metafísico.
Alberto Caeiro duvida da existência de uma alma no ser humano, quando diz "Creio mais no meu corpo do que na minha alma...".
Caeiro é um poeta materialista, visto que crê que o mundo exterior é mais certo do que o mundo interior.
Fotos: Brazilian savannah, por robertz65 e Capivari Waterfall 1, por CMPT.

segunda-feira, 23 de março de 2009

Sutra da Grinalda de Flores

O budismo no Japão passou a produzir idéias genuinamente nativas durante o período Nara (710-794 d.C.). Nesta época o jovem Sudhana partiu em peregrinação e encontrou 53 grandes mestres, alguns deles homens e mulheres viventes, enquanto outros eram Budas de meditação. O ensinamento que ele trouxe de sua viagem foi o Sutra da Grinalda de Flores (Avatamsaka em sânscrito; Kegon, em japonês).
Este ensinamento é comum a todas as seitas budistas do Japão. O que ele representa é uma nova aplicação do ensinamento original do Buda, na chamada Doutrina do Mundo em Harmonia Total que se Relaciona e Interpenetra. Algumas das lições contidas neste Sutra são:
Teoria Profunda da Correlação, segundo a qual todas as coisas coexistem, surgindo simultaneamente. Elas coexistem, além do mais, não apenas com relação ao espaço, mas também ao tempo, pois passado, presente e futuro se incluem mutuamente. “Distintos como são e separados como parecem estar no tempo, todos os seres estão unidos formando uma entidade – do ponto de vista universal.”
Teoria Profunda da Liberdade Total, segundo a qual todos os seres, pequenos e grandes, comungam  entre si sem obstruções; de maneira que o poder de cada um participa do de todos e é, portanto, ilimitado. “Mesmo em um foi de cabelo há inúmeros leões de ouro.” Uma ação, por pequena que seja, inclui todas as ações.
Teoria Profunda da Complementaridade, segundo a qual tanto o oculto quanto o manifesto formam o todo pela consolidação mútua. “Se um está dentro o outro está fora, ou vice-versa.” Pela complementaridade eles constituem a unidade.
Teoria Profunda da Plenitude da Virtude Comum, segundo a qual um líder e seu seguidor, o comandante e seus comandados, trabalham juntos de modo harmônico e transparente, pois, “de acordo com o princípio um-em-todos-e-todos-em-um, eles realmente formam um todo completo”, permeando-se uns aos outros. Em outras palavras, Somos Todos UM.
Essas são algumas das maravilhosas lições do Sutra da Grinalda de Flores, cujo objetivo é o estabelecimento de uma totalidade harmoniosa de todos os seres, como uma grinalda em volta da natureza búdica de cada um.
E o sentido disso tudo está simultaneamente no corpo ativo e  na mente meditativa, de maneira que a prática da religião é a própria vida.

Referência: CAMPBELL, Joseph. As Máscaras de Deus - v. 2. Mitologia Oriental. São Paulo: Palas Athena, 1994. (p.376-379)
Fotos:  The Giant Buddha, por Andrew Muddie e Buddha Temple, por talavan.

quinta-feira, 19 de março de 2009

Osho não é religião

por Osho*

Não sou parte de nenhum movimento

O que eu estou fazendo é algo eterno

Vem acontecendo desde que o primeiro ser humano apareceu sobre a terra

E continuará até o último

Este não é um movimento, mas o próprio âmago da evolução do ser humano

A busca pela verdade não é nova e nem velha

A busca pelo seu próprio ser nada tem a ver com o tempo

Eu posso ir embora e o que estou fazendo continuará

Ninguém é fundador ou líder disso

Este é um fenômeno tão vasto...

Que muitos iluminados apareceram, ajudaram e desapareceram,

Mas a ajuda deles deixou a humanidade um pouco mais elevada

Mais humana e melhor

Eles deixaram o mundo um pouco mais belo do que quando o encontraram

Osho

Leia também: Religiosidade é diferente de Religião, em Palavras de Osho
Por mais de trinta anos, os insights de Osho encantaram e desafiaram os buscadores espirituais.
Osho todos os dias representa alguns desses insights - uma compreensão que sintetiza uma vasta extensão de tradições espirituais e filosóficas, com a contribuição da ciência moderna e da psicologia. Estas palavras inspiradoras oferecem aos leitores opções diárias para viver plenamente no aqui e agora, desafiando-os a abraçar uma nova maneira de ser que integre
corpo, mente e espírito.




PEACE - FRIEDE - PAIX - PAZ - PACE - MIR – SHALOM


*Para receber os insights do Osho, por Suresh, envie um e-mail para suresh@terra.com.br
Suresh
Foto: Burning candles, por struteanu.

quinta-feira, 12 de março de 2009

Movimento Passe Livre em Floripa

A Frente de Luta Contra o Aumento da Tarifa está chamando manifestação para o dia 12 de Março, às 17h, em frente ao terminal do centro (TICEN) de Florianópolis.
O Movimento Passe Livre de Florianópolis convoca toda a sociedade civil para uma mobilização com o objetivo de impedir o aumento da tarifa de ônibus na capital de Santa Catarina. Venha para a rua, participe!
Além disso, a Frente de Luta contra o Aumento da Tarifa convida todas as pessoas e organizações interessadas nos rumos do Transporte Coletivo da capital para Audiência Pública com o Secretário de Transportes e vice-prefeito de Florianópolis João Batista Nunes.
O encontro ocorrerá no Plenarinho da Assembléia Legislativa de Santa Catarina, na sexta-feira, 13 de março de 2009, às 18hs.
Na oportunidade os movimentos sociais organizados apresentarão um conjunto de propostas que constam na agenda unificada dos movimentos em relação ao debate sobre transporte, e cobrarão posicionamento por parte do executivo municipal.
A oportunidade histórica que se abre com o fim do prazo das concessões não pode se restringir simplesmente ao debate sobre licitação – pressuposto constitucional básico – mas também ao regime de contrato, e, sobretudo ao modelo de transporte que queremos.
Atualmente, o preço da passagem para quem não possui o cartão é R$2,80! Uma das tarifas mais caras do país, sem dúvida alguma! Com isso, você pensa que temos transporte público de qualidade?
De jeito nenhum! Linhas de ônibus mal planejadas, itinerários péssimos, poucos horários disponíveis, finais de semana praticamente sem ônibus, veículos em péssimo estado de conservação... e o bolso dos empresários ficando cada vez mais cheio!
Novamente a população de Florianópolis foi atacada pela prefeitura e pelos empresários do transporte [que no final das contas são as mesmas pessoas, já que o sr. Dario Berger é dono de uma empresa, e o líder da oposição Espiridião Amim, é dono de outra]. Decretaram um novo aumento nas tarifas.

A tarifa está aumentando todo ano... você já se perguntou onde isso vai parar?
De 1994 até hoje, as tarifas aumentaram 600%, saltando de R$0,30 para R$2,10 para quem possui o cartão. Para quem não possui, o aumento no período foi de 800%!
No entanto, a qualidade do serviço só piorou e o salário dos funcionários das empresas aumentou muito pouco. Pra onde vai esse aumento? Para os poderosos, claro!
Enquanto o transporte coletivo for visto como mercadoria, e não como um direito, os aumentos vão continuar acontecendo e não haverá melhoria na qualidade. Transporte coletivo é serviço público essencial e deve ser tratado como política pública, não como uma oportunidade lucrativa para empresas sem compromisso com seus usuários.

Saiba mais:
Movimento Passe Livre de Florianópolis
Relato do primeiro dia de protestos (5 de Março de 2009) por Elaine Tavares
Amanhã vai ser maior, documentário sobre o protesto e a repressão policial em 2005

É urgente rever os fundamentos

por Leonardo Boff*

A conjugação das várias crises, algumas conjunturais e outras sistêmicas, obriga a todos a trabalhar em duas frentes: uma intrasistêmica buscando soluções imediatas dos problemas para salvar vidas, garantir o trabalho e a produção e evitar o colapso. Outra transsistêmica, fazendo uma crítica rigorosa aos fundamentos teóricos que nos levaram ao atual caos e trabalhar sobre outros fundamentos que propiciem uma alternativa que permita, num outro nível, a continuidade do projeto planetário humano.

Cada época histórica precisa de um mito que congregue pessoas, galvanize forças e confira novo rumo à história. O mito fundador da modernidade reside na razão, desde os gregos, o eixo estruturador da sociedade. Ela cria a ciência, transforma-a em técnica de intervenção na natureza e se propõe dominar todas as suas forças. Para isso, segundo Francis Bacon, o fundador de método científico, deve-se torturar a natureza até que entregue todos os seus segredos. Essa razão crê num progresso ilimitado e cria uma sociedade que se quer autônoma, de ordem e progresso. A razão suscitava a pretensão de tudo prever, tudo gerir, tudo controlar, tudo organizar e tudo criar. Ela ocupou todos os espaços. Enviou ao limbo outras formas de conhecimento.

Eis que, depois de mais de trezentos anos de exaltação da razão, assistimos a loucura da razão. Pois só uma razão enlouquecida organiza a sociedade na qual 20% da população mundial detém 80% de toda riqueza da Terra; as três pessoas mais ricas do mundo possuem ativos superiores à toda riqueza de 48 países mais pobres onde vivem 600 milhões de pessoas; 257 indivíduos sozinhos acumulam mais riqueza do que 2,8 bilhões de pessoas, o equivalente a 45% da humanidade; no Brasil 5 mil famílias detém 46% da riqueza nacional. A insanidade da razão produtivista e consumista gerou o aquecimento global que trará desequilíbrios já visíveis e a dizimação de milhares de espécies, inclusive a humana.

A ditadura da razão criou a sociedade da mercadoria com sua cultura típica, um certo modo de viver, de produzir, de consumir, de fazer ciência, de educar, de ensinar e de moldar as subjetividades coletivas. Estas devem se afinar à sua dinâmica e valores, procurando sempre maximalizar os ganhos, mediante a mercantilização de tudo. Ora, essa cultura, dita moderna, capitalista, burguesa, ocidental e hoje globalizada entrou em crise. Ela se expressa nas várias crises atuais que são todas expressão de uma única crise, a dos fundamentos. Não se trata de abdicar da razão, mas de combater sua arrogância (hybris) e de criticar seu estreitamento na capacidade de compreender. O que a razão mais precisa neste momento é de ser urgentemente completada pela razão sensível (M. Maffesoli), pela inteligência emocional (D. Goleman), pela razão cordial (A. Cortina), pela educação dos sentidos (J.F.Duarte Jr), pela ciência com consciência (E. Morin), pela inteligência espiritual (D. Zohar), pelo concern (R.Winnicott) e pelo cuidado como eu mesmo venho propondo há tempos.

É o sentir profundo (pathos) que nos faz escutar o grito da Terra e o clamor canino de milhões de famélicos. Não é a razão fria, mas a razão sensível que move as pessoas para tira-las da cruz e fazê-las viver. Por isso, é urgente submeter à crítica o modelo de ciência dominante, impugnar radicalmente as aplicações que se fazem dela mais em função do lucro do que da vida, desmascarar o modelo de desenvolvimento atual que é insustentável por ser altamente depredador e injusto.

A sensibilidade, a cordialidade, o cuidado levados a todo os níveis, para com a natureza, nas relações sociais e na vida cotidiana, podem fundar, junto com a razão, uma utopia que podemos tocar com as mãos porque imediatamente praticável. Estes são os fundamentos do nascente paradigma civilizatório que nos dá vida e esperança.

* Leonardo Boff é teólogo, escritor e professor universitário, expoente da Teologia da Libertação no Brasil. Foi membro da Ordem dos Frades Menores, mais conhecidos como Franciscanos.
Foto: Earth - 1967-11-09: Coastal Brazil, Atlantic Ocean, West Africa, Sahara and Antarctica, looking west, as seen from the earth-orbital Apollo 4 (Spacecraft 017/Saturn 501) unmanned space mission. This picture was taken when the Spacecraft 017 and the Saturn S-IVB (third) stage was orbiting the earth at an altitude of 9,745 nautical miles. ©NASA

São Paulo urgente: Plano Diretor

PROJETO DE LEI DO KASSAB EXCLUI SEÇÃO DE AGRICULTURA URBANA E ABASTECIMENTO DO PLANO DIRETOR

O prefeito Kassab fez o Projeto de Lei 671/07 que altera o atual Plano Diretor Estratégico (PDE) do Município de São Paulo, sem a participação da comunidade, e EXCLUI INTEGRALMENTE os capítulos sobre Políticas de Turismo; Desenvolvimento Humano e Qualidade de Vida; Trabalho, Emprego e Renda; Educação; Saúde; Assistência Social; Cultura (ficando Patrimônio Histórico e Cultural); Esportes, Lazer e Recreação; Segurança Urbana; Abastecimento; Agricultura Urbana (do artigo 17 ao 53) entre outras alterações absurdas. E só com a participação da população podemos impedir que este projeto seja aprovado.

Estão sendo excluidos artigos referente ao Bilhete Único, promoção do SUS, educação para pessoas portadoras de necessidades especiais, apoio à pessoas vítimas de violência e de situações emergenciais, de segurança pública, de segurança alimentar, instrumentos de participação da sociedade civil na administração pública, de acesso à moradia para pessoas de baixa renda, diminui a porcentagem de áreas de Zona Especial de Interesse Social.

Querem excluir artigos como a comercializaçã o direta entre produtor/consumidor , incentivo de hortas comunitárias, segurança alimentar... vejam abaixo.

Haverá AUDIÊNCIA PÚBLICA para debater a constitucionalidade deste Projeto de Lei, que não está sendo divulgada à população
DIA 13.03, sexta-feira - às 10hs
Local: Câmara Municipal - Viaduto Jacareí, 100 - salão nobre no 8 andar.
Compareça, qualquer cidadão e instituição tem direito de voz.

Haverá um Encontro preparatório para a audiência, da Frente das Entidades em Defesa do Plano Diretor Estratégico da Cidade de São Paulo:

Dia 12 de março, quinta-feira, 19 horas
Local: Auditório do Instituto Biológico
Av. Conselheiro Rodrigues Alves, 1252
(MAPA)

O Plano Diretor Estratégico é o instrumento básico da política de desenvolvimento e expansão urbana, determinante para todos os agentes publicos e privados que atuam no Município, de acordo com a lei federal do Estatuto da Cidade. Com as alterações que o prefeito pretende, toda a legislação que garante direitos e acesso à serviços será suprimida, além dos instrumentos participativos e de reinvindicação da sociedade.

O caráter desse Projeto de Lei é de flexibilizar toda a legislação para o setor privado, principalmente o setor dos empreendimentos imobiliários.




VEJAM ALGUNS ARTIGOS QUE QUEREM EXCLUIR:
artigos que garantem importantes direitos sociais
(...)
Art. 20 - O Poder Público Municipal priorizará combater a exclusão e as desigualdades sociais, adotando políticas públicas que promovam e ampliem a melhoria da qualidade de vida dos seus munícipes, atendendo às suas necessidades básicas, garantindo a fruição de bens e serviços socioculturais e ur-banos que a Cidade oferece e buscando a participação e inclusão de todos os segmentos sociais, sem qualquer tipo de discriminação.
Art. 21 - As políticas sociais são de interesse público e têm caráter universal, compreendidas como direito do cidadão e dever do Estado, com participação da sociedade civil nas fases de decisão, execução e fiscalização dos resultados.
Art. 22 - As ações do Poder Público devem garantir a transversalidade das políticas de gênero e raça, e as destinadas às crianças e adolescentes, aos jovens, idosos e pessoas portadoras de necessidades especiais, permeando o conjunto das políticas sociais e buscando alterar a lógica da desigualdade e discri-minação nas diversas áreas.
(...)


ARTIGOS DE ABASTECIMENTO E AGRICULTURA URBANA:

SEÇÃO IX
DO ABASTECIMENTO

Art. 48 - São objetivos da política de Abastecimento:

I - reduzir o preço dos alimentos comercializados na Cidade;

II - disseminar espaços de comercializaçã o de produtos ali-mentícios a baixo custo;

III - aperfeiçoar e ampliar os serviços de abastecimento alimentar prestados pelo Poder Público Municipal;

IV - racionalizar o sistema de abastecimento alimentar na capital, por meio da integração com o Governo do Estado e a iniciativa privada;

V - apoiar e incentivar iniciativas comunitárias e privadas na área do abastecimento, voltadas à redução do custo dos alimentos;

VI - aprimorar as condições alimentares e nutricionais da po-pulação;

VII - incentivar e fornecer apoio técnico e material às iniciativas de produção agrícola no Município;

VIII - garantir o controle sanitário de estabelecimentos que comercializam ou manipulam alimentos no varejo;

IX - garantir a segurança alimentar da população.
(...)
XI - a garantia do fornecimento de alimentação diária aos alunos da rede municipal de ensino.

Art.50 (...)

IV - apoiar a implantação de hortas comunitárias e domiciliares;

VI - promover a comercializaçã o direta entre produtores rurais e população;

VII - implantar entrepostos atacadistas descentralizados em benefício de comerciantes e consumidores locais;

VIII - instituir funcionamento de feiras livres em horários alternativos e implantar feiras confinadas em regiões onde a rede de distribuição é rarefeita;

(...)

SEÇÃO X
DA AGRICULTURA URBANA

Art. 51 - São objetivos da Agricultura Urbana:

I - estimular a cessão de uso dos terrenos particulares para o desenvolvimento, em parceria, de programas de combate à fome e à exclusão so-cial, por meio da agricultura urbana;

II - aproveitar os terrenos públicos não utilizados ou subutili-zados, em programas de agricultura urbana de combate à exclusão social.

(...)

Art. 52 - São diretrizes da Agricultura Urbana:
I - o desenvolvimento de políticas que visem o estímulo ao uso dos terrenos particulares com o objetivo de combate à fome e à exclusão social, por meio de atividades de produção agrícola urbana;

II - o desenvolvimento de política de aproveitamento dos terrenos públicos não utilizados ou subutilizados, visando à implantação de programas de agricultura urbana que tenham como objeto o combate à fome e à exclusão so-cial e incentivo à organização associativa.

Art. 53 - São ações estratégicas da Agricultura Urbana:
I - fomentar práticas de atividades produtivas solidárias e associativas;
II - criar mecanismos que possibilitem a implementação de programa de agricultura urbana, na forma da lei.
(...)

Para acessar links, documentos, arquivos e encontros: bairrosvivos. blogspot. com
Divulguem!
Saiba mais:

 Para fechar, uma lista dos vereadores com "rabo preso" nesta história, ou seja, aqueles que receberam financiamento em suas campnhas das imobiliárias:

quinta-feira, 5 de março de 2009

O sofrimento é necessario?

Jesus na cruz
Jesus Cristo: ele viveu para ensinar o amor, mas só se lembram de sua morte sofrida

Em muitas religiões, o sofrimento é elevado a um status de "caminho da redenção". A Igreja Católica Apostólica Romana é um exemplo de instituição religiosa que dá muita ênfase ao sofrimento. Em alguns casos, essa ênfase é tão exagerada que os fiéis acabam por sacrificar-se durante suas vidas, em busca do Reino Celestial após a morte. As experiências espirituais só teriam valor quando há sofrimento, e os templos religiosos estão repletos de imagens que retratam o sofrimento dos mártires.

Qual a sua opinião a respeito do sofrimento?


Da minha parte, acredito que o sofrimento não é necessário nem desnecessário. Ele é inerente à existência. O estado Crístico ou Búdico ocorre quando se "aceita os desígnios do Pai" ou quando se "atinge o Nirvana". O que isso significa? Aceitar que o sofrimento existe, da mesma maneira que o prazer. Ambos são transitórios. Um não existe sem o outro.

O caminho de cada ser humano é viver da maneira mais fluida possível. Isso significa, por um lado, sofrer menos, por saber que o sofrimento é passageiro. Mas também significa se apegar menos ao prazer, pois este também passará.

Isso não significa se resignar ao seu destino e não fazer nada para mudar sua vida sofrida. Tampouco significa glorificar o sofrimento como meio de alcançar o "Reino do Pai". Infelizmente, ao meu ver, tanto alguns Cristãos quanto alguns Budistas deixaram de seguir seus próprios caminhos para viver a "imitação de Cristo" ou a imitação de Buda. Seja martirizando-se, seja tornando-se um asceta, seja como for, estes seguidores acabam por apegar-se à história de vida de seus Avatares, ao invés de encararem o ensinamento central de ambos: Siga o Seu próprio caminho! (Não o MEU!)

Dizem os Budistas que do momento em Sidarta Gautama atingiu a Iluminação em diante, ele não se moveu. Foi o mundo que se moveu à sua volta. Os sofrimentos e prazeres deste mundo iam e vinham pelo ser em estado Búdico, mas ele permanecia centrado em seu Eu mais elevado.

Na Bíblia, em uma passagem do evangelho de São João, os Fariseus acusam Jesus de estar pecando ao realizar milagres no Sábado, o dia reservado ao Senhor [não é permitido realizar qualquer trabalho neste dia da semana, em respeito ao Mais Altíssimo, segundo a Lei Judáica]. Jesus afirma categoriamente: "Vós sois Deuses".

Este é o meu entendimento. Somos Todos Divindades a se manifestarem. Cada um no seu próprio caminho, sem imitações nem martírio.

Um abração e Vibrações Positivas!

Foto: Great Suffering Jesus, por quinet

terça-feira, 3 de março de 2009

Veganismo no senado

Delícias Vegetarianas
Pela primeira vez, o termo veganismo foi colocado em pauta no senado brasileiro. Tramita na Senado Federal o Projeto de Lei 01/2009, apresentado pelo senador Expedito Júnior, que altera o artigo 6º do Código de Proteção e Defesa do Consumidor, incluindo a obrigatoriedade da indicação, no rótulo dos produtos, sobre a existência de componentes de origem animal.

O que podemos fazer para ajudar?

O Fabio Chaves, do site Vista-se fez um hotsite com uma carta padrão onde as pessoas podem manifestar sua vontade de que a lei seja aprovada de forma rápida e prática e já no primeiro dia recebeu e-mail do senador agradecendo e dizendo que este tipo de ação é importante para ajudar na aprovação. O link é http://vista-se.com.br/expedito/


O grupo Gato Negro está promovendo abaixo assinado [eu já assinei!] que pede a aprovação deste PL e que sejam solicitadas emendas incluindo a rotulagem adequada para cosméticos, produtos de limpeza e higiene. E também que a informação no rótulo não se restrinja à composição do produto, incluindo  a indicação sobre o produto ser ou não testado em animais. Para ler e assinar a petição online, acesse http://www.petitiononline.com/vegano/

A tramitação do PL pode ser acompanhada em http://www.senado.gov.br/sf/atividade/materia/detalhes.asp?p_cod_mate=89240

O Veganismo
É, simultaneamente um tipo de dieta e uma filosofia de vida. Os veganos não consomem qualquer produtos de origem animal (de origem alimentar ou não alimentar), nem usam produtos que tenham sido testados em animais. Alguns dos produtos que os veganos não consomem incluem: carne, peixe, marisco, lacticínios, mel, ovos, peles, couro, lã, seda, cera de abelha, própolis, ou produtos testados em animais.
O número de veganos no Brasil e no mundo cresce enormemente.Revistas, sites e livros já abordam o tema há alguns anos. Entende-se que é direito do consumidor “a informação adequada e clara sobre os diferentes produtos e serviços, com especificação correta de quantidades, características, composição, qualidade e preço, bem como sobre os riscos que apresentem”, o que já está presente no código de defesa do consumidor. Mas, é imperativo que haja uma descrição mais objetiva nos rótulos de produtos alimentícios, roupas, COSMÉTICOS, PRODUTOS DE LIMPEZA e HIGIENE se há produtos de origem animal em sua composição.
“O veganismo é aquilo que cada um de nós pode fazer já. O veganismo não é uma mera questão de dieta; é um compromisso moral e político com a abolição da exploração animal no nível individual.”
Gary L. Francione, Advogado norte-americano


Projeto de Lei (PL) na íntegra
Gabinete do Senador EXPEDITO JUNIOR

PODER LEGISLATIVO

SENADO FEDERAL

Gabinete do Senador EXPEDITO JÚNIOR

PROJETO DE LEI DO SENADO

Nº , DE 2009


Altera o art. 6º da Lei nº 8.078, de 11 de setembro de 1990 (Código de Proteção e Defesa do Consumidor) para incluir, entre os direitos básicos do consumidor, as informações sobre composição de alimentos e roupas.

O CONGRESSO NACIONAL
decreta:

Art. 1º
O art. 6º da Lei nº 8.078, de 11 de setembro de 1990, passa a vigorar acrescido do seguinte inciso:

Art. 6º .....................................................................

...................................................................................

XI – a informação, em rótulo ou etiqueta, sobre a existência de componentes de origem animal em alimentos e roupas. (NR)”

Art. 2º
Esta Lei entra em vigor no prazo de cento e oitenta dias a contar da data de sua publicação.

JUSTIFICAÇÃO

Os regulamentos que tratam da rotulagem de alimentos preocupam-se, apenas com aspectos relevantes do ponto de vista nutricional e sanitário dos mesmos. Em relação a roupas, sequer há uma regulamentação.

Ainda que o Código de Defesa do Consumidor reconheça, como direito básico do consumidor, “a informação adequada e clara sobre os diferentes produtos e serviços, com especificação correta de quantidades, características, composição, qualidade e preço, bem como sobre os riscos que apresentem”, informações relevantes para o consumidor – de alimentos ou de roupas –, do ponto de vista de sua orientação nutricional ou de filosofia de vida, estão ausentes nos rótulos e nas etiquetas daqueles produtos, impedindo uma decisão informada.

Sabemos que é cada vez maior o número de pessoas que optam por diferentes formas de alimentação ou de filosofia de vida, como os vegetarianos, macrobióticos, ou o veganismo.

O veganismo, por exemplo, é, simultaneamente um tipo de dieta e uma filosofia de vida . Os veganos não consomem qualquer produtos de origem animal (de origem alimentar ou não alimentar), nem usam produtos que tenham sido testados em animais. Alguns dos produtos que os veganos não consomem incluem: carne, peixe, marisco, lacticínios, mel, ovos, peles, couro, lã, seda, cera de abelha, propólis, medicamentos ou cosméticos testados em animais.

Constata-se, portanto, que é fundamental que os rótulos, embalagens e etiquetas de produtos alimentícios e de itens de vestuário informem adequadamente seus consumidores sobre a existência de componentes de origem animal na composição daqueles produtos.

Por essas razões, pedimos o apoio dos nobres pares na aprovação deste projeto de lei.

Sala das Sessões,

Senador EXPEDITO JÚNIOR

Foto: Veggie Tray, por D.A.K. Photography


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