quinta-feira, 18 de junho de 2009

Um sonho à La Belle Verte

por Cristian Jones*

Sonhei que estava num campo naturalmente aberto, eram planícies com uma vegetação de uma cor verde bem viva e sua altura não passava de nossas canelas. Havia morros altos e outros mais baixos, inclinações harmoniosamente distribuídas e iluminadas por um céu muito lindo e brilhante, com poucas nuvens pequenas bem branquinhas. Ventava mas não fazia frio, não era forte, apenas balançava os cabelos de quem tinha os cabelos cumpridos. O Sol apenas mantinha nossa temperatura, que era fresca.

Eu estava muito feliz, muito! Por todo lado estavam chegando gente de todas as direções com o andar empolgado, estavam todos muito felizes seguindo para uma mesma direção um mesmo ponto, se reunindo. Todos gritavam qualquer coisa de tanta alegria. Procurando, a gente chamava outras pessoas pelo nome, mas sem preocupação, pois sabíamos que todos nós estávamos por ali em algum lugar e tínhamos a paz que iríamos encontrar uns aos outros mais cedo ou mais tarde. Todas as pessoas que conheço estavam lá, inclusive todos vocês.

Não olhei para todos, mas sabia tranquilamente que estavam lá, passavam por mim. Me lembro com mais clareza de ter visto o Lucas, o tio Frank e o Danilo, nos vimos, falamos pouco, não me lembro bem o quê, era só comemoração. Nos abraçamos, tudo com muita alegria e continuamos nossa caminhada, mas sem exceção sentia a presença de todos mesmo!

A gente não estava na Terra, mas também não sei dizer se a gente tinha “morrido”. Sentia um alívio, não tínhamos peso algum em nossos corações nem em nossas mentes e sabíamos que todos estavam com a mesma consciência.

Quando cheguei em um morro mais alto pude ver muitos e muitos grupos gigantescos de pessoas chegando de todos os lados até onde minha vista alcançava. Todos muito alegres se unindo. Um grupo estava chegando fazendo, organizadamente, uma música bem forte com suas bocas que dava pra ouvir de bem de longe, onde eu estava! Era incrível de ver e ouvir.

Foi quando passou voando bem baixo perto de todos nós um ser enorme, gigante, não era um pássaro, tinha o aspecto robusto como de um dragão mas não assustava, não era mal, sobrevoou todos os lugares, onde ele passou todos vibraram, todos nós vibramos!...


Daí não lembro mais. rs

É isso.

Que eu me lembre este foi o sonho mais feliz de toda minha vida. Eu sonhei isso há algum tempo, mas estes dias ele tem visitado minha cabeça com muita energia.

Não sei se por esta descrição consegui passar um pouco do que a gente sentia, é difícil, mas me esforcei para conseguir escrever bem.

Seja lá o que vocês vão fazer, espero que ao menos esta história seja inspiradora e por todos os nossos dias.

Um abraço aí pra todos!

*Cristian Jones é um I-rmão muito próximo. Ele é designer e músico. Foi integrante do Bando Árvore Sagrada. É o melhor baterista de reggae do Brasil, na minha opinião, e toca na banda Cultivo!. Faz parte do Movimento Nyah pela Positividade.

Publicado sob autorização do autor:

"Claro que pode postar! Além de eu achar uma coisa legal de dividir com todos, o seu Blog é muito loko! É "altas vibe", você reforça a positividade Gabi!"


La Belle Verte

O sonho do Cris me lembrou muito as belíssimas cenas do filme La Belle Verte (que ilustram esta postagem).

La Belle Verte (a linda verde) ou Turista Espacial, como foi chamado no Brasil, é um filme francês de Colline Serreau lançado em 1996. Existe um planeta em que seus habitantes evoluíram a tal ponto que vivem em perfeita harmonia com a natureza. De tempos em tempos, alguns deles fazem excursões a outros planetas, seja para observá-los ou mesmo ajudá-los em seu processo evolutivos.

Curiosamente, há 200 anos que ninguém quer vir para o planeta Terra. Até que um dia, por razões pessoais, uma mulher decide se voluntariar. Ela aterriza em Paris.
O filme aborda de maneira humorada temas variados como a fábula filosófica, a espiritualidade ativista, a sustentabilidade, o anti-conformismo, a ecologia, o feminismo, o humanismo, o pacifismo entre outros.

Inspirador e divertido. Prepare-se para se desconectar!

Assista o filme La Belle Verte (Turista Espacial, em português do Brasil) no Google Videos.

Quando falei sobre o filme com o Cris, ele me respondeu:
Foram justamente bem as primeiras imagens deste filme que trouxeram novamente este sonho que eu nunca mais esqueci, o início é muito parecido, apesar das cores da natureza não serem tão vivas quanto as que vi em meu sonho e outros detalhes, e depois o filme começar a focar outras coisas...

Meu coração disparou a hora que vi as primeiras cenas! rsrsrs

Valeu pelas contribuições Cris!

Somos todos UM!

AXÉ

terça-feira, 16 de junho de 2009

Irradiando Luz ao UsuárioCompulsivo

Como começar uma postagem tão importante assim?
"Começa assim... Querido @compulsivo, muito obrigado por enviar alguns milhões de visitas para meu blog...blá blá blá. ! :)"
Seu Noca, via tuiter.
Lá estava eu, passeando pela Tuitosfera em um belo sábado de manhã um belo feriado de Corpus Christi, quando me deparo com isso:
Pensei comigo mesmo: Ah, eu tô maluco!
Mãos à obra!
O que eu fiz? Baixei o Photoshop, instalei a versão de testes, peguei uma foto minha, de um ensaio do Bando Árvore Sagrada:
Desta imagem, recortei um quadrado, inverti as cores e o resultado foi esse:
(Ok, eu já havia feito isso em outra ocasião..)
Joguei uns efeitinhos estilo "pichação" do paintbrush, procurei uma fonte bacana, e o resultado foi esse:

(Clique na imagem acima para ampliar.)

Resultado: fui um dos agraciados com a escolha Compulsiva:


Banner do blogue Irradiando Luz no topo da Blogosfera.

Chegou na blogosfera brasileira hoje e ainda não sabe quem é o @compulsivo?
Dá uma olhada no Ranking do BlogBlogs e procura a primeira posição. Vê quem tá lá: Tio Compulsivo.

Agora você me pergunta: por que ele fez isso?
Pelo que sei, o Compulsivo se desiludiu com o AdSense e outras formas de monetização de blogues. No topo de seu layout há um espaço reservado a banners, que ele utilizava para faturar com o programa de afiliados do Submarino.
Após sua libertação da "escravidão voluntária" do AdSense, o Compulsivo está adotando seu lado mais anarco-punk e resolveu distribuir poder, whoofie e links para seus camaradas e seguidores. Sou fã do Compulsivo de longa data, e estou adorando essa fase pós-capitalista de seu blogue!

Além do Irradiando Luz, outros seis blogues foram premiados, e têm seus banners exibidos de maneira aleatória: Apaixonados por Séries, Outro Blog da Mary, IceBreaker, Made in Brasilis, Nerds Somos Nozes e Pois Bem.
Cada um deles já publicou seu agradecimento ao mestre... Confira!

Alguns deles comentaram que foi a primeira ou segunda vez que ganharam qualquer coisa na vida. Eu tenho uma história mais sortuda, e desde que entrei no Twitter, já ganhei muita coisa, de publicidade gratuita a inscrição isenta de pagamento no EDTED - Encontro de Design e Tecnologia Digital - que aconteceu aqui em Floripa em maio deste ano (fui sorteado no TISC: Tecnologia e Inovação em Santa Catarina. Quem me deu a dica via Tuiter foi o Lossio).
Não acho que seja sorte. É tomar a atitude certa na hora certa. E seguir as pessoas certas no tuiter...
Se quiser ajudar a divulgar o Irradiando Luz no seu blogue, entre em contato.
E siga-me lá no gorjeio.

Agradeço ao UsuárioCompulsivo pela graça alcançada.
#AXÉ

quinta-feira, 4 de junho de 2009

Estudos sobre a auto-realização das pessoas nas organizações

Reproduzo aqui o primeiro capítulo de minha Tese de Conclusão do Curso de Administração.


Alberto Guerreiro Ramos (1981) afirma que em toda sociedade o ser humano se vê frente a dois problemas: qual o significado de sua existência e como sobreviver, biologicamente falando. Para ele, uma sociedade constitui-se quando representa uma expressão da ordem do universo para seus componentes.
“Em outras palavras, em toda sociedade existe, de um lado, uma série de ações simbólicas em sua natureza, ações condicionadas, sobretudo, pela experiência do significado e, de outro lado, atividades de natureza econômica, que são acima de tudo condicionadas pelo imperativo da sobrevivência, da calculada maximização de recursos” (GUERREIRO RAMOS, 1981)
Para estes diferentes aspectos da vida associada humana, há dois critérios diferentes, que não podem ser misturados. Uma atividade econômica deve ser avaliada em termos de vantagens práticas. Seu conhecimento está voltado para a obtenção destas vantagens, não para o entendimento e conhecimento da verdade. São assim compensadoras pelos seus resultados extrínsecos, meios para obtenção de um fim ulterior. A interação simbólica, por outro lado, é intrinsecamente compensadora, constituindo-se fim em si mesmo.
Ainda segundo Guerreiro Ramos (1981), nas sociedades primitivas e arcaicas, a dimensão predominante foi invariavelmente a simbólica, sendo as atividades econômicas meramente incidentais, restritas a situações específicas, e nunca determinadas por critérios econômicos. Existem diversas provas de que nas sociedades pré-capitalistas, não é possível identificar comércio entre indivíduos causado por motivação puramente econômica.
Karl Polanyi (2000) em sua obra A Grande Transformação, publicada originalmente em 1944, refuta o que ele chama de “preconceitos do século XVIII” – vigentes até hoje, em pleno século XXI – como a hipótese de Adam Smith de que o homem primitivo é inclinado à barganha e à permuta. Smith, em A Riqueza das Nações, de 1776, alega que a propensão do homem a atividades econômicas é natural. A conseqüência disso é que as sociedades primitivas e arcaicas foram relegadas à pré-história, dispensáveis para o entendimento dos problemas da atualidade. Esta atitude, para Polanyi, não deveria fazer parte da mente científica, constituindo-se de preconceito subjetivo.
“A economia do homem, como regra, está submersa em suas relações sociais. Ele não age desta forma para salvaguardar seu interesse individual na posse de bens materiais, ele age assim para salvaguardar sua situação social, suas exigências sociais, seu patrimônio social. Ele valoriza os bens materiais na medida em que eles servem a seus propósitos. Nem o processo de produção, nem o de distribuição está ligado a interesses econômicos específicos relativos à posse de bens. Cada passo está atrelado a um certo número de interesses sociais, e são esses que asseguram a necessidade daquele passo. É natural que esses interesses sejam muito diferentes numa pequena comunidade de caçadores e pescadores e numa ampla sociedade despótica, mas tanto numa como noutra o sistema econômico será dirigido por motivações não-econômicas” (POLANYI, 2000).

Polanyi segue sua análise de estudos antropológicos de Malinowski e Thurnwald, enumerando uma série de motivações sociais por trás de uma ampla rede de trocas conhecida como Kula, nas Ilhas Trobriand da Melanésia Ocidental, que serve de exemplo para corroborar seu ponto de vista. Princípios como a reciprocidade, a redistribuição, a simetria e a centralidade são responsáveis pela motivação de um intrincado sistema de trocas, onde a economia é mera função da organização social. Este circuito de Kula é, segundo Polanyi (2000) “uma das mais completas transações comerciais já conhecida pelo homem.(...) Descrevemo-lo como um comércio, embora ele não envolva qualquer lucro, que em dinheiro ou em espécie.” Como resultado, têm-se uma realização organizacional tida por Polanyi como “estupenda”. Ainda segundo o autor, estes princípios, aliados ao conceito de domesticidade, estiveram presentes em todas as relações econômicas das sociedades antigas, como a babilônica, a grega, a romana, a dos Carolíngeos e dos camponeses da Europa Ocidental durante a Idade Média.
Guerreiro Ramos (1981) sintetiza a visão de Polanyi (2000) da seguinte maneira:
“Polanyi indica que nas sociedades não-mercantis, as economias existiam no sentido substantivo. (...) A economia, aqui, está incrustada na tessitura social, e não constitui um sistema auto-regulado. Em outras palavras, numa sociedade não-mercantil, ninguém vive sob a ameaça do chicote econômico” (Grifo do original).
Antes da atual sociedade de mercado, nunca existiu uma sociedade em que o critério econômico se tornasse o padrão da existência humana. Guerreiro Ramos (1981) afirma que “a presente teoria das organizações é, sobretudo, uma expressão da ideologia de mercado, e é da natureza dessa ideologia negligenciar os pontos envolvidos pela interação simbólica.”
Guerreiro Ramos enfatiza que, além da chamada Escola de Chicago, fundada por George Herbert Mead, outros estudiosos também concentraram seus estudos na explicação da interação simbólica, como Carl Gustav Jung, Ernest Cassirer, Georges Gurvitch, Eric Voegelin, Jürgen Habermas, Kenneth Burke, H. D. Duncan e Herbert Blumer. A partir destes estudos, pode-se enumerar algumas preposições a respeito das teorias de interação simbólica:
1. Há múltiplas maneiras de se chegar ao conhecimento. Questiona-se aqui o pressuposto de que a ciência seja a única forma correta de conhecimento. Arte, mito, religião e história são formas de conhecimento igualmente válidas.
2. A sociedade é pautada pela existência social. Esta existência não pode ser explicada objetivamente com classificações tais como classes, forças ou estruturas. A verdadeira existência, seja ela individual ou social, é algo intermediária, entre o potencial e o real.
3. A interação simbólica presume que a realidade social se faz inteligível ao indivíduo através de experiências livres de repressões operacionais formais. Nas palavras de Guerreiro Ramos (1981), estas experiências são trocadas ou comunicadas pela interação simbólica, que “requer, necessariamente, relações íntimas entre os indivíduos, que não se efetivam mediante padrões ou regras impostas, de caráter econômico.”
Fica claro, assim, que experiências simbólicas tais como o amor, a confiança, a honestidade, a verdade e a auto-atualização não devem ser incluídos no campo de ação de organizações econômicas, inteligíveis por suas normas funcionais e racionais de conduta e comunicação.
Desta polarização entre o simbólico e o econômico, Guerreiro Ramos (1981) parte para a distinção entre trabalho e ocupação. Segundo o autor, em todas as sociedades pré-mercado em que havia algum grau de diferenciação social, existiu uma clara distinção entre atividades e ocupações superiores e inferiores, sob uma classificação existencial. As atividades são classificadas de maneiras diferentes em sociedades diferentes, mas duas premissas orientam esta classificação:
1. As atividades classificadas como superiores, existencialmente, são geralmente exercidas autonomamente pelo indivíduo, visando sua atualização pessoal e auto-realização. Estas atividades são consideradas fins em si mesmas.
2. As atividades que não alcançam esta classificação são geralmente determinadas por necessidades objetivas provenientes do exterior, não pela decisão pessoal de quem as exerce. São os chamados esforços penosos. Não que as atividades tidas como superiores não sejam penosas, mas estas são por pressuposto, intrinsecamente gratificantes.
Partindo destes pressupostos, Guerreiro Ramos (1981) distingue trabalho e ocupação da seguinte maneira:
“O trabalho é a prática de um esforço subordinado às necessidades objetivas inerentes ao processo de produção em si. A ocupação é a prática de esforços livremente produzidos pelo indivíduo em busca de atualização pessoal” (GUERREIRO RAMOS, 1981)

A instituição da escravidão, segundo Arend (in: GUERREIRO RAMOS, 1981) “foi um recurso para excluir o trabalho da condição da vida do homem”.
Guerreiro Ramos (1981) prossegue afirmando que na concepção moderna, trabalho foi elevado ao status de atividade superior. Em contrapartida, palavras como razão, racionalidade e lazer “adquirem, no sistema de mercado, significados que originalmente não exprimiam.” Isso não é fato incidental. A consolidação institucional do sistema de mercado acarreta no processo de desculturação da mentalidade ocidental. Com isso, ser humano se torna, nesta moderna concepção, apenas um componente da força de trabalho. A transformação de indivíduos em trabalhadores é pré-requisito para o funcionamento da sociedade centrada no mercado, refletindo-se inclusive na contabilidade da produção de qualquer empresa. O resultado destes esforços, de filósofos como Thomas Hobbes e John Locke, religiosos como Martinho Lutero e João Calvino, e moralistas como Bentham, é a ética do trabalho, baseada na concepção de que o trabalho define o valor de uma pessoa, tanto nos domínios da existência individual como social.
A importância dada ao trabalho foi necessária para diminuir a dissonância cognitiva decorrente do próprio sistema de mercado, reduzindo o conflito interior e solapando a antiga distinção entre ocupação e trabalho.

Referências
GUERREIRO RAMOS, Alberto. A nova ciência das organizações: uma reconceituação da riqueza das nações. Rio de Janeiro. FGV, 1981.

POLANYI, Karl. A Grande Transformação. Rio de Janeiro: Campus, 2000.



Arquivo do blog

| Irradiando Luz -alguns direitos reservados|
Real Time Web Analytics ^