quinta-feira, 13 de maio de 2010

Terceiro Milênio, de Jorge Bodanzky

Esta é uma obra de verdade. Qualquer semelhança com a ficção é mera coincidência
(Imagem: ExpediçãoMadeira).
Finalizado em 1981, o documentário Terceiro Milênio, de Jorge Bodansky registra a viagem do senador amazonense Evandro Carreira por seu estado em agosto de 1980. A região percorrida é do Alto Solimões, fronteiriça ao Brasil, Peru e Colômbia. Depoimentos de caboclos, de madeireiros, do sertanista Paulo Lucena, de índios brasileiros e peruanos são colhidos desde a cidade de Benjamin Constant até o vilarejo de Cavalo Cocho.

No trajeto, revela-se a potencialidade econômica do Amazonas e seus desvios: a corrupção na política indigenista e a presença de fábricas poluidoras às margens do Rio Solimões.
"A FUNAI hoje é um instrumento de poder para explorar o índio que se encontra abandonado e explorado" (Senador Evandro Carreira, 1980)
Destituído de qualquer método revolucionário narrativo no gênero, a câmera crua mas totalmente objetiva de Bodanzky, no melhor estilo cinema verdade, desenha ao sabor da retórica do senador os conflitos sociais amazonenses. Nenhum questionamento, opinião ou intervenções são manifestados pelo diretor, mas as muitas imagens de impactos que surgem dizem por si próprias, deixando ao espectador tirar suas próprias conclusões.

Um claro exemplo desse método narrativo transparente é constatado no instante em que a barca desfila diante de uma fábrica de compensados peruana. "É uma atividade de alta periculosidade, é antiamazônico e antiecológico", indigna-se o senador, que profetiza a importância da floresta amazônica e suas riquezas para as sociedades futuras.

Em outra cena, o senador está proferindo mais um de seus discursos a bordo do barco que o leva na expedição, com a mata ao fundo, alinhado, vestindo uam camisa social. O cinegrafista lentamente vai afastando a câmera para revelar que o senador estava usando apenas uma sunga da cintura para baixo.

A performance do senador é um evento a parte. Desfilando de sunga em meio a caboclos às margens do Rio Solimões, profere discursos repletos de verborréia, representando o consagrado estilo político da conveniência. Em uma cena, incita os madereiros a formarem um sindicato em Brasília para fazer pressão, e fazendo referência ao movimento estudantil que lutava pelas Diretas em plena ditadura, propõe a eles o slogan "Madereiros unidos jamais serão vencidos".

O documentário revela ao espectador problemas que, 30 anos depois, ainda são atuais. Problemas de caráter político-sociais e humanistas como os entraves territoriais entre o Brasil e seus vizinhos, os conflitos entre madereiros locais e as grandes empresas de fora, a deficiência da educação para os mais carentes, as irregularidades e abuso de poder da Fundação Nacional do Índio - FUNAI e, sobretudo, o descaso dos órgãos competentes com relação a condição do índio, os verdadeiros donos desse oceano verde.
"A Amazônia é isso: água, umidade, calor, selva, fotossíntese. O futuro do mundo está na água" (Senador Evandro Carreira, 1980).
Ficha Técnica
Título: Terceiro Milênio
Duração: 90 min.
Ano de lançamento: 1981
Gênero: Documentário
Direção: Jorge Bodanzky
Empresa Produtora: Stopfilm/ZDF
Produção Executiva: Marina Villara
Direção Fotografia: Jorge Bodanzky
Estúdio Montagem/Edição: Maria Inês Villares
Técnico de Som Direto: David Pennigton

Nota: 10

Infelizmente não encontrei disponível para assistir ou baixar o documentário online. Caso alguém tenha o video, peço que entre em contato. Eu tive a oportunidade de assistir o filme em um cineclube de Florianópolis.

De volta ao Terceiro Milênio
Depois de 30 anos, Jorge Bodanzky volta à região do alto Solimões e exibe o documentário aos Ticuna, personagens importante do filme de 1979. Assista o trailer da continuação: De volta ao Terceiro Milênio.


Assista De volta ao Terceiro Milênio na íntegra (Tempo total: 27 min): Parte 1 - Parte 2 - Parte 3

Esta postagem traz a tona outro lado do debate a respeito do jornalista que foi demitido da Editora Abril por criticar uma reportagem da revista Veja no seu twitter pessoal. O tema da reportagem que ele criticava era justamente a questão indígena e de demarcação territorial.

Fonte:TV Navegar
A TV Navegar - Web TV de temática socioambiental com foco na Amazônia - tem como característica dar voz à população local,capacitando-a a gerar seus próprios conteúdos, numa visão de dentro para fora.

OBJETIVOS
* Dar visibilidade à sabedoria e à cultura locais, através da formação de cidadãos ribeirinhos com domínio das tecnologias disponíveis no Projeto, para que possam produzir suas próprias mídias e outros produtos culturais;
* Elaborar e executar projetos de pesquisa com base na identidade amazônica nas áreas de educação, cultura, turismo e lazer;
* Fortalecer a cultura local com foco na difusão e registro dessas experiências via Internet e outras mídias.

A TV Navegar é uma criação do cineasta e documentarista Jorge Bodanzky.

[Via: Programadora Brasil]

quarta-feira, 12 de maio de 2010

As empresas não são donas da nossa vida

"Eu não nasci pra trabalho. Eu não nasci pra sofrer. Eu percebi que a vida é muito mais que vencer"

Trabalhadores do meu Brasil: uni-vos! A Matrix esta à sua volta! Seu patrão é um agente! Você ainda não se desplugou! Wake up Neo!

A notícia do dia é que a Editora Abril demitiu o jornalista Felipe Milanez, editor da Revista National Geographic Brasil, por ter criticado a Revista Veja no twitter pessoal dele. Jornalista no Twitter é pessoa física ou representa a empresa para a qual trabalha? A discussão foi reaberta à força.

A demissão de qualquer um é direito da empresa que o contratou. Mas a Editora Abril tem um histórico de distorções da realidade e falta de ética, e isso se faz notar claramente pela linha ditatorial editorial da Revista Veja, que foi o pivô da demissão.

Dialogo interno faz a empresa crescer. Essa atitude do grupo Abril demonstra claramente que não há espaço para diálogo nem dentro nem fora da empresa. Não quer opiniões, pensamentos e posicionamentos? Contrate robôs para escrever reportagens então.

Aposto que boa parte dos colegas do cara na Abril concordam com a opinião dele. Mas não tiveram a coragem de apoiá-lo. Não acho que necessariamente alguém precisa chegar a esse ponto que ele chegou! Mas talvez dentro do grupo Abril seja este o caso mesmo.

Conversando com amigos, vi muita gente indignada com a atitude do funcionário. Acho estranho que poucos se indignam com a "puta falta de sacanagem" da empresa, ditatorial e sem dialogo! A editora Abril é uma empresa de comunicação que não sabe se comunicar com seus funcionários! Não sabe ouvir, não tem uma linha editorial aberta a colaboração.

A questão maior: nossas vidas
Ainda mais importante do que discutir quem tem razão nesta historia é trazer à tona a questão da falta de dialogo nas empresas. Os chefes sempre dizem que estão de portas abertas para ouvir sugestão e críticas dos empregados e querem funcionário criativo. Mas se o funcionário comete um erro, é punido e crucificado. Se o funcionário tenta dar uma sugestão, é recebido com um esporro.

A empresa não é sagrada, se ela desagrada, tem que ser criticada. Se não tem espaço interno para a crítica, tem que ser fora dela!

Você conhece alguém que esteja 100% satisfeito com seu emprego/empresa? E se cada um falasse só uma coisa com a qual não concorda? Sera que as empresas não teriam que mudar pelo menos um pouquinho?

Alguém acha que as empresas vão dar de presente autonomia pra gente? Temos que lutar sim! Conquistar nosso espaço.

As empresas estão tomando conta da sociedade que não é delas, é nossa! Esta na hora da gente colocar a empresa no lugar delas, não é? E eu não to falando da pqp não!

As empresas não se contentam em sugar a vida, a energia e todo o sol da vida de seus empregados. Elas querem vigiar e punir sua vida privada.

Você acha que a empresa é dona da sua vida? Dona do seu comportamento? Ela deve definir que roupa você deve usar, o que você deve consumir, quantas horas você vai dormir?

Você tem medo de perder seu emprego? E o que mais você tem a perder, se você já vendeu sua vida por salario? Você perdeu a sua vida, meu I-rmão.
"Trabalho não é uma prisão. É pior: na prisão, pelo menos, você sabe quando vai sair." @bomdiaporque 
Seja dono da sua vida!

Muitas pessoas acham que 'a vida é assim mesmo' e se conformam com vigilância, controle, punições e falta de confiança por parte da empresa. Estas pessoas acham que somos obrigados a trabalhar e a sentir prazer.

Nós não somos obrigados a nada! Nós nos obrigamos!

Liberte-se da escravidão mental! Quem esta se aprisionando é você! Diga NÃO a sua empresa! Diga NÃO ao seu chefe! É seu direito! Você não é um escravo!

Você tem medo de ser quem você é? Você acha bonito todo mundo vestido de preto como urubus? Onde esta a flexibilidade e a criatividade?

Existe um aparato burocrático para manter o status de uma liderança que não é legitima! Existe uma coisa nas empresas chamada Hierarquia. Mas qual o problema em questionar a autoridade se ela se baseia só no medo e na burocracia? Autoridade também pode se basear em respeito e admiração. Esta é a verdadeira autoridade.

Sugiro que a gente imponha nosso espaço nas organizações e na sociedade. Sem medo de ser feliz. A vida é das pessoas!  Ninguém é obrigado a se demitir por não concordar com algo. Mas se nada muda, a culpa é SUA por se omitir. Vamos criar espaços onde possamos nos expressar!
"Eu que já não quero mais ser um vencedor levo a vida devagar pra não faltar amor" (Loser Manos)

domingo, 9 de maio de 2010

Feliz dia das Mães

Nara, barriga da Re, bebê na barriga e mão do Gabi (foto: arquivo pessoal)
Querida Mãe,

   Desejamos muito amor, luz e paz-ciência na sua vida.   

Serenidade e tranqüilidade para viver em harmonia e sentir o amor em sua plenitude.


Sem medo, sem pré-ocupações e sem angústias.

Confiando e aproveitando o presente que Deus nos dá Aqui e Agora.

Te amamos muito!


Gabi + Re + Nara + Bebê 


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